Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Edição de Julho de 2018 · Nº 216

Evidências de antinocicepção envolvendo canais de sódio voltagem-dependentes (Nav 1.2)

Os canais de sódio do tipo voltagem-dependentes são classificados em 9 (nove) subtipos (Nav). Embora mantenham cerca de 75% de semelhança entre si, o que os diferencia são diferenças nas subunidades alfa e beta

dependentes (Nav 1.2) Adriele Alves Santos, Ana Carolina Alves Melo de Moura”, Mani Indiana Funez **

Os canais de sódio do tipo voltagem-dependentes são classificados em 9 (nove) subtipos (Nav). Embora mantenham cerca de 75% de semelhança entre si, o que os diferencia são diferenças nas subunidades alfa e beta. Essas variações entre os subtipos permitem a eles desenvolverem papeis funcionais específicos, sendo encontrados em neurônios sensoriais, e possuindo um importante papel em neuropatias crônicas dolorosas de diferentes causas. Estes canais são alvos de tratamentos como: doenças neuropáticas ou inflamatórias, estados de dor, epilepsia, enxaqueca, neurodegeneração relacionada à isquemia e arritmias.

O foco deste editorial são os canais Nav 1.2 encontrados no sistema nervoso. São expressos ao longo de axônios pré-mielinizados e mielinizados em diferentes maturações e em um subconjunto de axônios desmielinizados, ele está envolvido com a condução de potenciais de ação mesmo com intensa despolarização, sendo esses canais mais aptos para disparos de baixa frequência.

Até o momento os principais estudos envolvendo Nav 1.2 e dor avaliaram a redução da frequência de potenciais de ação in vitro induzida por opioides e bloqueadores de canais de sódio, tendo em vista que essa redução pode indicar uma ação analgésica in vivo. Foi observado que sufentanil, fentanil e tramadol são capazes de bloquear correntes de sódio induzidas pela despolarização via canais de sódio neuroniais Nav 1.2, de uma maneira dependente da concentração e preferencialmente em conformações de inativação lenta. Essa inativação lenta pode ser um mecanismo fisiológico para suprimir a atividade ectópica em resposta a mudanças lentas no potencial de membrana e ser terapeuticamente explorada, especialmente na dor crônica.

Bloqueadores dos canais de sódio, como lidocaína, mexiletina e benzocaína, apresentaram resultados semelhantes aos relatados anteriormente, sendo mais potentes em bloquear canais Nav 1.2 do que outros, como por exemplo, Nav 1.8. Contudo, a esclerose múltipla é até o momento a principal condição que diversos estudos relatam o envolvimento de Nav 1.2, com o aumento da sua expressão ao longo de axônios desmielinizados em pacientes acometidos.

Apesar dessas evidências é necessário ressaltar que estes estudos que relacionam Nav 1.2 com dor foram realizados in vitro e outros devem ser desenvolvidos, principalmente in vivo, para verificar se realmente o bloqueio de Nav 1.2 poderia gerar analgesia e, principalmente, avaliar os efeitos adversos gerados por essa ação.

* Borcsa, B et al. Diterpene alkaloids from the roots of Aconitum moldavicum and assessment of Nav 1.2 sodium channel activity of aconitum alkaloids. Planta médica. 2014, 80 (02/03), 231-236.

* Rush, A., Dib-hajj, S D., Waxman, S G. Electrophysiological properties of two axonal sodium channels, Navl. 2 and Navl. 6, expressed in mouse spinal sensory neurones. The Journal of physiology. 2005; 564 (3), 803- 815.

* Wada, A. Roles of voltage-dependent sodium channels in neuronal development, pain, and neurodegeneration. Journal of pharmacological sciences. 2006; 102(3), 253-268.

* Weiser, T. Comparison of the effects of four Na+ channel analgesics on TTX- resistant Na+ currents in rat sensory neurons and recombinant Navl. 2 channels. Neuroscience letters. 2006 395(3), 179-184.

* Haeseler, G., Foadi, N., Ahrens, J., Dengler, R., Hecker, H., & Leuwer, M. Tramadol, fentanyl and sufentanil but not morphine block voltage-operated sodium channels. Pain. 2006, 126 (1-3), 234-244.

* Equipe de extensão da Faculdade de Ceilândia - Universidade de Brasília (FCE - UnB)

** Professora Adjunta na área de Enfermagem e Farmacologia da Faculdade de Ceilândia - Universidade de Brasília

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