Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Edição de Agosto de 2003 · Nº 37

Mecanismo molecular de opióides periféricos

Pesquisadores brasileiros do Instituto Butantã demonstraram que componentes do veneno da cascavel (Crotalus durissimus terrificus) possuem atividade analgésica periférica envolvendo receptores opióides (Eur. J. Pharmacol., 469(1-3): 57-64, 2003). É interessante

Pesquisadores brasileiros do Instituto Butantá demonstraram que componentes do veneno da cascavel (Crotalus durissimus terrificus) possuem atividade analgésica periférica envolvendo receptores opióides (Eur. ). Pharmacol., 469(1-3): 57-64, 2003). É interessante lembrar que foram brasileiros que descobriram a atividade analgésica periférica da morfina ou dos opióides em geral. Grupos de São Paulo e Minas Gerais têm trabalhado para demonstrar o mecanismo molecular dos opióides periféricos. Infelizmente, se estas substâncias cruzarem a barreira hematoencefálica, podem desencadear fenômenos psicológicos graves. Por meio de modificações químicas, podem ser desenvolvidos opióides que não cruzam a barreira hematoencefálica, o que evitaria efeitos indesejados, como depressão respiratória e dependência. Descobriu-se mais tarde que opióides do tipo kappa não possuem estes efeitos colaterais. A indústria farmacêutica está prestes a colocar no mercado agonistas kappa opióides que não cruzam a barreira hematoencefálica, o que constituirá uma esperança para o controle da dor pós-operatória e de doenças inflamatórias crônicas, como a artrite, sem os inconvenientes dos efeitos destas drogas no sistema nervoso central.

* Professor Titular do Depto. de Farmacologia da FMRP-USP

⭳ Baixar edição em PDF

Matérias desta edição