
A ação da dopamina no contexto da fibromialgia
Considerada como doença do século, a fibromialgia (FM) é um transtorno doloroso incapacitante que afeta 2% da população, com prevalência na maior parte dos casos em mulheres, entre 35 e 50 anos. Trata-se de uma patologia relacionada a um distúrbio no sistema nervoso central envolvendo os mecanismos de supressão da dor. Essa disfunção não está relacionada com inflamações nem deformidades físicas, mas pode estar associada a outras doenças reumatológicas. A FM geralmente depende de uma equipe multidisciplinar para estabelecer o correto plano de tratamento, considerada de difícil diagnóstico. Pesquisadores explicam que muitos fármacos prescritos para os pacientes com fibromialgia são aditivos, com eficácia clínica limitada e não tratam os sintomas cognitivos da fibromialgia, área considerada importante no desenvolvimento da FM. Um estudo recente realizado em Indiana na Universidade de Indianapolis (IUPUI) demonstrou que ainda são desconhecidos quais substratos neurobiológicos participam do desenvolvimento e manutenção da fibromialgia, mas há evidências da participação na alteração dopaminérgica nos transtornos dolorosos. Nesse estudo os autores avaliaram se o sistema dopaminérgico influenciava nos pacientes controles saudáveis, comparado aos pacientes com fibromialgia. Para avaliar as mudanças na concentração de dopamina durante o teste de memória operacional em relação com ao nível inicial basal foi realizado analise por tomografia e quantificação dos níveis de dopamina. Doze pacientes com fibromialgia e doze controles foram selecionados para esse estudo. As analises por tomografia demonstraram que os pacientes com fibromialgia tiveram potencial de fixação inicial mais alto na amídala direita e no núcleo pallidum ventral em relação aos pacientes saudáveis controle. Além disso, o nível de catecolaminas foi mensurado e, apontou que os pacientes com fibromialgia tiveram liberação de dopamina significativa no córtex cingulado anterior, insula esquerda, córtex orbito frontal e hipocampo bilateral durante os testes de memoria. Ao contrário, foram detectadas diminuições da dopamina no córtex parietal posterior e em córtex pré-frontal ventromedial, ao passo que nos indivíduos controles, a dopamina diminuiu no lóbulo parietal posterior, hipocampo esquerdo e córtex pré-frontal ventromedial durante teste de memoria, além disso, não foram detectadas liberação de dopamina nos indivíduos controles. Segundo os pesquisadores, estes dados indicam que as alterações do nível da dopamina em indivíduos com fibromialgia podem estar associadas à memória operacional e à percepção da dor. São necessários mais estudos para explorar com mais detalhe as relações potenciais entre a dopamina e o desempenho cognitivo e a percepção da dor na fibromialgia, contudo esses achados apontam para o descobrimento promissor da participação efetiva da dopamina na função cognitiva da fibromialgia. Referência: Albrecht, D.A., Christian, B.T., MacKie, P., Yoder, K.K. (2014, April 11). Differences in Dopamine Function in Fibromyalgia. Poster session presented at IUPUI Research Day 2014, Indianapolis, Indiana.