
A crotalfina, um analgésico opióide obtido do veneno da serpente Crotalus durissus terrificus, pode ser uma alternativa ao uso da morfina por não induzir hiperalgesia tardia
A crotalfina (CRP), um peptídeo analgésico obtido do veneno da cobra Crotalus durissus terrificus (CdtV), induz antinocicepção mediada por receptores opioides dos tipos kappa (k) e delta (δ). Considerando que um dos grandes problemas do tratamento com opioides é o desenvolvimento paradoxal da hiperalgesia tardia, trabalho apresentado por Pereira, do Instituto Butantan, investigou o possível desenvolvimento de hiperalgesia após o tratamento com CRP. A administração de CRP e morfina (MOR) induziu antinocicepção em ratos, sendo detectada hiperalgesia 96-120 horas após o tratamento. A administração do antagonista não-seletivo de receptores opioides naloxona (NAL), 45 minutos após a MOR, bloqueou ambos os efeitos analgésicos e hiperalgésicos. Além disso, quando foi administrado 15 minutos antes da avaliação do limiar da dor, o NAL também bloqueou a hiperalgesia tardia induzida por MOR. A CRP, ao contrário da morfina, não induziu hiperalgesia tardia, o que sugere a CRP como uma possível droga opioide para utilização na farmacoterapia da dor com menos efeitos colaterais. - Resumo 06.096 (FOL) Autores e procedência do estudo: Pereira, L.M.; Picolo, G.; Brigatte, P.; Cury, Y. - Instituto Butantan – Fisiopatologia