
A dor cervical relacionada ao trabalho de ultra-sonografistas
Dor cervical relacionada ao trabalho afeta, anualmente, de 27% à 48% da população geral trabalhadora. Entre os ultra-sonografistas, é estimado que 84% já tiveram experiência com a dor cervical e desses, 55% relataram ao menos uma deficiênci
Dor cervical relacionada ao trabalho afeta, anualmente, de 27% à 48% da população geral trabalhadora. Entre os ultra-sonografistas, é estimado que 84% já tiveram experiência com a dor cervical e desses, 55% relataram ao menos uma deficiência leve. O conhecimento sobre os mecanismos fundamentais da dor permite um cuidado individualizado, melhorando a saúde desses indivíduos. Nesta perspectiva, foi realizado estudo transversal e simples-cego, com o objetivo de documentar, de forma abrangente, o perfil somatossensorial considerando diferentes níveis de dor cervical em ultra-sonografistas. Foi selecionada uma amostra de 92 participantes, ultra-sonografistas, que passou pelo Teste Sensorial Quantitativo (QST), um método não invasivo para examinar mecanismos neurobiológicos da dor e que tem sido utilizado para avaliar as contribuições das funções somatossensorial e modulatória do centro da dor. Os participantes foram divididos em três grupos: sem deficiência cervical, deficiência cervical leve e deficiência cervical moderada/grave. Os pesquisadores encontraram que dor mais disseminada, dor ao frio e hiperalgesia mecânica em local remoto e maior percepção da dor no grupo de deficiência moderada/grave em comparação com os outros dois grupos. A hiperalgesia em um local remoto pode evidenciar processamento nociplástico da dor caracterizado pela sensibilização central. Hiperalgesia localizada não foi evidente em ultra- sonografistas com deficiência leve ou moderada/grave, por possível sensibilização da região pescoço-ombro devido à exposição de longo prazo ao trabalho repetitivo. Ultra-sonografistas com deficiência moderada/grave também apresentaram maior frequência de comprometimentos psicológicos, principalmente ansiedade e depressão. Sugere-se que é necessário maior enfoque em estratégias para reduzir a progressão para deficiência grave, tratamento da dor. Ainda, para ultra- sonografistas com deficiência moderada/grave, estabelecer estratégias de redução de ansiedade e depressão. Referências: Xie Y, Thomas L, Barbero M, Falla D, Johnston V, Coombes BK. Heightened pain facilitation rather than impaired pain inhibition distinguishes those with moderate/severe disability in work-related neck pain. Pain. 2021;162(8):2225- 2236. doi:10.1097/j.pain.0000000000002213 Alerta submetido em 10/09/2021 e aceito em 04/10/2021.
Escrito por Rebeca Dias dos Santos.