Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Divulgação Científica

A dor crônica na adolescência e internalização por transtornos de saúde mental: um

estudo nacional representativo Dor crônica pediátrica é prevalente, incapacitante e pode causar diversos impactos na vida da criança ou adolescente e suas famílias. Apesar dos avanços na compreensão do impacto da dor pediátrica sobre o des

DOL · Dor On Line Edição 193 · Agosto 2016 ⭳ Baixar em PDF

estudo nacional representativo
Dor crônica pediátrica é prevalente, incapacitante e pode causar diversos impactos na vida da criança ou adolescente e suas famílias. Apesar dos avanços na compreensão do impacto da dor pediátrica sobre o desenvolvimento neurobiológico, psicológico e social, estudos epidemiológicos abrangendo a adolescência e a idade adulta são raros. Isso limita não só a compreensão de comorbidades da saúde mental associadas a dor crônica pediátrica, como também impede a evolução das estratégias de prevenção e tratamento da dor nestas populações vulneráveis. A ligação entre ansiedade, depressão e a dor crônica é evidente, diversos estudos apontam para tal afirmativa, porém pouco se sabe a respeito da relação entre dor crônica na adolescência e o seu impacto na vida adulta.
Para tal, o estudo utilizou o National Longitudinal Study of Adolescent to Adult Health (Add Health), para examinar se dores crônicas na adolescência está associada com maior risco de desenvolver ansiedade e transtornos depressivos na idade adulta. O Add Health foi desenvolvido nos Estados Unidos a partir de 1994-1995 com adolescentes entre 7 a 12 e seguiu até 2008. Estes indivíduos foram acompanhados desde 1994-1995 até 2008 por meio de três etapas, a primeira foi realizada em 1994-1995, quando os participantes tinham entre 7-12 anos, a segunda em 1996, com idade entre 8-12 e terceira em 2008, com idade entre 24-32. Em todas as etapas os participantes responderam a um questionário que continham informação acerca da dor e diagnóstico de transtornos de ansiedade relatados.

A amostra neste estudo foi composta por 14.790, 21,9% tinham dor crônica na adolescência na etapa 1 e/ou II, e 78,1% da amostra não relatou ter dor crônica. Os indivíduos com uma história de dor crônica durante a adolescência relataram níveis mais altos de transtornos de ansiedade (21,1%) na idade adulta do que aqueles sem dor crônica na adolescência (12,4%). A dor crônica na adolescência, sexo feminino, raça branca, ansiedade do adolescente e sintomas depressivos foram significativamente associados com aumento da probabilidade de história de transtornos de ansiedade e depressão na idade adulta, segundo os autores. Como o estudo foi baseado no relato, os autores reiteram que a relação entre a dor crônica, estado de saúde mental podem ser maiores uma vez que alguns podem não ter tido diagnóstico formal na infância ou não tinham conhecimento sobre. Embora os resultados do presente estudo sejam mais fidedignos do que estudos anteriores em relação aos jovens com dor crônica vivendo nos Estados Unidos por ser nacional, os fatores psicológicos, os mecanismos neurobiológicos também são importante para investigação futura.
Como limitação, os autores relatam em primeiro lugar que a dor crônica na idade adulta não foi avaliada no Add Health, portanto, eles não foram capazes de determinar se a dor na infância foi remetida ou persistiu ao longo do tempo. Em segundo lugar, o Add Health não incluiu uma avaliação validada de dor crônica e por isso foi aplicada uma abordagem conservadora para a categorização de dor crônica. Em terceiro lugar, não se sabe se os adolescentes receberam tratamento para a dor crônica, e em caso afirmativo, o que este tratamento implicou. Por fim, percebe-se que o estudo possui sua relevância, pois além de ser inovador ao investigar a associação entre dor crônica na adolescência e ansiedade e transtornos depressivos na idade adulta, sua amostra traduz a realidade nacional dos Estados Unidos. Porém, é importante destacar a necessidade de um olhar crítico e reflexivo frente ao tratamento estatístico e as questões étnicas para a leitura do artigo na integra. Referência: Noel M, Groenewald CB, Beals-Erickson SE, Gebert JT, Palermo TM.Chronic pain in adolescence and internalizing mental health disorders: a nationally representative study. Pain. 2016; 157(6):1333-8.
Alerta submetido em 10/07/2016 e aceito em 10/08/2016.

← Voltar à edição 193