
A dor orofacial aguda leva a mudanças persistentes nos componentes
comportamental e afetivo da dor A redução da atividade dopaminérgica mesolímbica está relacionada com o comportamento do tipo ansioso, redução da comunicação social e dor espontânea decorrente da hiperalgesia orofacial persistente por três
comportamental e afetivo da dor A redução da atividade dopaminérgica mesolímbica está relacionada com o comportamento do tipo ansioso, redução da comunicação social e dor espontânea decorrente da hiperalgesia orofacial persistente por três dias. A dor persistente mesmo que por poucos dias produz distúrbios psicológicos como ansiedade e insônia, bem como uma redução de atividades sociais, o que está relacionado com baixa qualidade de vida. Neste estudo foi observado que a dor orofacial aguda causa alterações prolongadas nos componentes comportamental e afetivo da dor, que podem estar relacionados a alterações dopaminérgicas mesolímbicas. Desta forma, foram utilizados os modelos de formalina orofacial e incisão intraoral da mucosa, com o objetivo de obter dados mais translacionais para a dor pós-operatória. Foram analisados dados da emissão de vocalizações ultrassônicas (USV) emitidas pelos ratos como medida não evocada de dor, e da expressão da enzima tirosina hidroxilase (TH), que é a enzima limitante na biossíntese de dopamina em neurônios dopaminérgicos que se projetam da área tegmental ventral (VTA) para áreas mesolímbicas envolvidas em funções executivas, afetivas e motivacionais, incluindo córtex pré-frontal, amígdala e núcleo acumbens (NAc). Os resultados demonstram que tanto a formalina como a incisão da mucosa promoveram hiperalgesia ao calor persistente por alguns dias. Os testes comportamentais foram realizados no dia 3 pós formalina ou incisão. No teste do labirinto em cruz elevado foi observado uma redução do tempo e número de entradas nos braços abertos, o que não foi observado no dia 1 após a indução dolorosa, sugerindo que o
comportamento do tipo ansioso decorre da hiperalgesia persistente. Além disso, nesse momento também foi alterado o padrão de USV, constatando uma redução das USV do tipo flat, o que sugere uma redução da comunicação social dos animais submetidos à dor orofacial. Adicionalmente, no dia 3 pós-incisão foi observado dor espontânea mediante a avaliação do grooming facial espontâneo, que foi reduzido comparado com o grupo sham, e pelo teste de preferência condicionada ao lugar (CPP), mostrando preferência do grupo incisão para permanecer na câmara pareada com morfina, que tem efeito analgésico. Finalmente, estudos moleculares no NAc demonstram uma diminuição da expressão da enzima TH, indicando uma baixa atividade dopaminérgica no sistema mesolímbico dos animais com dor pós- operatória. Assim, é possível sugerir que uma pequena lesão tecidual, infligida pela incisão intraoral, leva a mudanças nos aspectos comportamental e emocional da dor. Referência: Araya EI, Baggio DF, de Oliveira Koren L, et al. Acute orofacial pain leads to prolonged changes in behavioral and affective pain components [published online ahead of print, 2020 Jun 19]. Pain. 2020;10.1097/j.pain.0000000000001970. doi:10.1097/j.pain.0000000000001970 Alerta submetido em 13/08/2020 e aceito em 17/08/2020. Escrito por Erika Ivanna Araya Pallarés.