
A influência bacteriana na origem da enxaqueca
Cientistas italianos sugerem que algumas dores de cabeça teriam origem na patogenicidade da microbiota presente no estômago. Segundo um estudo apresentado em abril deste ano, 18 % dos pacientes com enxaqueca crônica estariam infectados com a Helicobacter pilori (H. pilori), bactéria relacionada a úlceras gástricas, e teriam tido melhora dos sintomas da enxaqueca com terapia antibiótica. Tratamentos adjuvantes a antibioticoterapia, como a substituição da microbiota patogênica por uma probiótica ou não-patogênica, pareceram melhorar ainda mais a frequência e intensidade dos episódios de enxaqueca. Pacientes tratados com antibiótico associado à ingestão de produtos que contêm Lactobacillus, uma bactéria probiótica, tiveram, um mês após o início do tratamento, sintomas similares de enxaqueca aos dos pacientes que receberam só antibiótico. No entanto, um ano após, a erradicação da dor e a ausência de recidiva foi significativamente maior nos pacientes que também se submeteram à terapia com Lactobacillus. Dr. Peter Goadsby, professor no Instituto de Neurologia em Londres, criticou este estudo pela falta de um grupo de pacientes recebendo pílulas placebo. O efeito placebo poderia ser responsável por 30 % da melhora observada nos pacientes, diz. Segundo ele, a complementação do estudo com o grupo placebo ajudaria a confirmar a importância da H. pilori na enxaqueca e justificaria estudos posteriores no intuito de identificar as toxinas indutoras da doença.