Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

A influência bacteriana na origem da enxaqueca

DOL · Dor On Line Edição 23 · 2001 ⭳ Baixar em PDF

Cientistas italianos sugerem que algumas dores de cabeça teriam origem na patogenicidade da microbiota presente no estômago. Segundo um estudo apresentado em abril deste ano, 18 % dos pacientes com enxaqueca crônica estariam infectados com a Helicobacter pilori (H. pilori), bactéria relacionada a úlceras gástricas, e teriam tido melhora dos sintomas da enxaqueca com terapia antibiótica. Tratamentos adjuvantes a antibioticoterapia, como a substituição da microbiota patogênica por uma probiótica ou não-patogênica, pareceram melhorar ainda mais a frequência e intensidade dos episódios de enxaqueca. Pacientes tratados com antibiótico associado à ingestão de produtos que contêm Lactobacillus, uma bactéria probiótica, tiveram, um mês após o início do tratamento, sintomas similares de enxaqueca aos dos pacientes que receberam só antibiótico. No entanto, um ano após, a erradicação da dor e a ausência de recidiva foi significativamente maior nos pacientes que também se submeteram à terapia com Lactobacillus. Dr. Peter Goadsby, professor no Instituto de Neurologia em Londres, criticou este estudo pela falta de um grupo de pacientes recebendo pílulas placebo. O efeito placebo poderia ser responsável por 30 % da melhora observada nos pacientes, diz. Segundo ele, a complementação do estudo com o grupo placebo ajudaria a confirmar a importância da H. pilori na enxaqueca e justificaria estudos posteriores no intuito de identificar as toxinas indutoras da doença.

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