Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Ciência e Tecnologia

A influência da lisofosfatidilcolina na dor articular associada a doenças

reumáticas Estudos clínicos e pré-clínicos realizados por pesquisadores suecos identificaram os altos níveis de lisofosfatidilcolina 16:0 (LPC 16:0) no líquido sinovial do joelho como uma marca registrada de patologias articulares dolorosas

DOL · Dor On Line Edição 270 · Janeiro 2023 ⭳ Baixar em PDF

reumáticas Estudos clínicos e pré-clínicos realizados por pesquisadores suecos identificaram os altos níveis de lisofosfatidilcolina 16:0 (LPC 16:0) no líquido sinovial do joelho como uma marca registrada de patologias articulares dolorosas associadas ou não a inflamação. A parte clínica do estudo analisou 2 coortes independentes de pacientes, a primeira composta por 35 pacientes com osteoartrite e a segunda por 50 pacientes sofrendo de diferentes doenças articulares dolorosas, em ambas coortes foram realizadas a coleta de líquido sinovial do joelho e comparadas com 10 indivíduos controle pós-morte sem histórico de osteoartrite ou doenças reumáticas inflamatórias. As duas coortes analisadas exibiram concentrações significativamente mais altas de LPC 16:0 em comparação com as amostras controle. Já a parte pré- clínica, foi realizada com camundongos adultos machos e fêmeas que receberam 2 injeções intra-articulares consecutivas de soluções salinas contendo LPC 16:0 para induzir a dor, antes e durante 30 dias após as injeções foram testados seus limiares de dor mecânica, calor e teste de suporte de peso. Além disso, este estudo também traz evidências em camundongos e humanos apoiando o papel da LPC 16:0 via canais iônicos sensor de ácido 3 (ASIC3) na dor crônica articular, já que os efeitos pró-nociceptivos in vivo de LPC 16:0 são largamente dependentes desses canais ASIC3 e independente do sexo. A LPC 16:0 ativou ASIC3 de camundongos, humanos e in vitro, induzindo uma corrente de despolarização dependente de ASIC3 em neurônios do gânglio da raiz dorsal de camundongos. Assim, os resultados do estudo sugerem que a LPC 16:0 pode estar envolvida na dor articular de diferentes etiologias de origem inflamatória e não inflamatória, principalmente em doenças musculoesqueléticas reumáticas. Porém, ainda é necessário demostrar se um nível elevado de LPC 16:0 poderia ser usado como um biomarcador objetivo de dor articular crônica em diferentes etiologias. Referência: Jacquot F, Khoury S, Labrum B, et al. Lysophosphatidylcholine 16:0 mediates chronic joint pain associated to rheumatic diseases through acid-sensing ion channel 3. Pain. 2022;163(10):1999-2013. doi:10.1097/j.pain.0000000000002596 Alerta submetido em 28/10/2022 e aceito em 16/12/2022. Escrito por Jessica Correia de Oliveira Souza.

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