Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

A memória da dor em crianças é o melhor indicativo de sua intensidade

DOL · Dor On Line Edição 146 · Setembro 2012 ⭳ Baixar em PDF

Crianças normalmente recebem mais de 20 imunizações até os 18 anos de idade. O impacto da dor gerada por estes procedimentos dolorosos não acaba quando o estimulo é removido. As memórias das crianças para as dores se relacionam com a evasão do atendimento médico na idade adulta e podem contribuir para o desenvolvimento e manutenção da dor crônica mais tarde. As crianças podem desenvolver memórias de dor que são negativamente estimadas, ou seja, guardam na memória que sentiram mais dor comparado ao que sentiu imediatamente após o estimulo, ou desenvolver memórias que são precisas ou positivamente estimadas, as quais imaginam ter sentido dor menor ou igual ao que relatou logo após o estimulo. As crianças que desenvolvem memórias de dor negativamente estimadas são mais prováveis de ter experimentado uma maior intensidade de dor e estado de ansiedade durante experiências dolorosas anteriores. Estas crianças podem ter maior dificuldade durante as experiências de dor posteriores do que as crianças que têm a memória exata ou estimada positivamente a intensidade dolorosa. O presente estudo analisou a influência de lembranças infantis de um estímulo doloroso em sua experiência de dor subsequente. Os resultados indicam que a memória das crianças sobre a intensidade da dor seria melhor indicador da intensidade da dor, que seu relato inicial logo após o estimulo doloroso. As crianças que desenvolveram memórias de dor negativamente estimadas possuem a tendência de desenvolver expectativas de maior dor comparado às crianças que possuem memória de dor precisamente ou positivamente estimada. O estudo mostra a relação entre esses níveis mais elevados de ansiedade e sensibilidade e as crianças memórias de dor negativamente estimadas. Referência: Noel M, Chambers CT, McGrath PJ, Klein RM, Stewart SH. The influence of children's pain memories on subsequent pain experience. Pain. 2012 153(8):1563-72.

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