
A modulação cognitiva da dor
Esta apresentação é focada nos mecanismos neurobiológicos da analgesia pelo placebo, um exemplo proeminente de como a cognição pode modular a percepção da dor. Inicialmente, o foco são os aspectos da experiência, isto é, no aprendizado da associação entre detalhes visuais e os estímulos para a dor. Como tem sido mostrado que a analgesia pelo placebo é mediada pelos opioides endógenos, foi testado o efeito de um antagonista opioide (naloxona) no aprendizado, utilizando este contexto. Subsequentemente, os mecanismos opioides que ocasionam a analgesia pelo placebo foram testados utilizando a imagem funcional dada pela ressonância magnética (fMRI), também em combinação com a naloxona. A naloxona reduziu tanto os efeitos comportamentais como os neuronais, assim como as respostas específicas ao placebo em estruturas corticais modulatórias da dor, entre elas, o córtex cingulato rostral anterior (rACC). Uma modulação similar pela naloxona de respostas específicas do placebo também foi observada em estruturas-chave do sistema descendente inibitório de controle da dor, incluindo o hipotálamo, a substância cinzenta periaquedutal (PAG), e o bulbo rostral ventromedial (RVM). Em termos de conectividade, a naloxona aboliu o acoplamento específico entre o rACC e a PAG, preditivo de ambos efeitos - neural e comportamental - induzidos pelo placebo. Além disso, a fMRI de alta resolução na medula espinal humana mostrou que as respostas de dor diminuídas na analgesia pelo placebo eram paralelas à forte redução da atividade de dor na medula espinal, provendo evidência direta da inibição espinal como um dos mecanismos da analgesia pelo placebo. Referências: C. Buchel. Congresso Pain in Europe, Alemanha, 2011. Neurociência de Sistemas, Universidade do Centro Médico de Hamburgo Eppendorf, Hamburgo, Alemanha.