
A modulação do reflexo de retirada nociceptivo por odores agradáveis e desagradáveis
Muitas evidências sugerem que os odores possuem a capacidade de modular a percepção dolorosa em humanos. Sabe-se que a exposição a um estímulo odorífero, percebido como agradável ou desagradável, pode evocar memórias e produzir sensações com forte componente emocional. Curiosamente, os efeitos dos odores têm sido relacionados à alteração de estruturas do sistema límbico, as quais são as mesmas estruturas anatômicas envolvidas no processamento e percepção da dor. Baseado na hipótese de que o odor seria capaz de modular o controle descendente dos neurônios da medula espinal, avaliou-se a magnitude do reflexo de retirada nociceptivo (RRN) gerado a partir da estimulação elétrica do nervo sural de dezoito voluntários saudáveis enquanto estes cheiravam substâncias com odor agradável, desagradável e neutro. Também foi avaliada a percepção subjetiva da dor, após a exposição aos estímulos citados. Observou-se que a magnitude do RRN foi significativamente maior após a exposição ao odor desagradável, e que esta foi reduzida após o estímulo olfativo agradável. De igual modo, o relato da percepção da dor foi reduzido na presença de odores que evocavam sensações agradáveis. Esses resultados mostram que o estímulo olfatório, dentre outras modalidades de estímulos com diferentes valências emocionais anteriormente estudados, é capaz de modular a nocicepção espinal em humanos. Assim, sugere-se que os efeitos positivos do odor podem ser usados, isoladamente ou em combinação com outras modalidades de alívio da dor, para o tratamento de diferentes síndromes dolorosas. Referência: Bartolo M, Serrao M, Gamgebeli Z, Alpaidze M, Perrotta A, Padua L, Pierelli F, Nappi G, Sandrini G. Modulation of the human nociceptive flexion reflex by pleasant and unpleasant odors. Pain. 2013. 154 (2013) 2054–2059.