
A potencial consequência da pandemia de COVID-19 na dor crônica
A pandemia de COVID-19 tem impactado a vida de pessoas do mundo todo. Além de afetar a saúde física dos infectados, outros também foram igualmente afetados em virtude do isolamento social, incertezas sobre o futuro, medo e a própria crise e
A pandemia de COVID-19 tem impactado a vida de pessoas do mundo todo. Além de afetar a saúde física dos infectados, outros também foram igualmente afetados em virtude do isolamento social, incertezas sobre o futuro, medo e a própria crise econômica instalada. Desta forma, estudiosos buscam relacionar as consequências deste contexto na dor dos indivíduos, incluindo as possibilidades de associações: (1) A dor crônica como resultado de uma síndrome pós-viral ou um dano aos órgãos afetados pelo vírus, (2) piora da dor em razão da exacerbação da dor pré-existente em certas condições
físicas e mentais e, (3) dor crônica em indivíduos não infectados por aumento de fatores de risco existentes (inatividade, medo, ansiedade). Os desfechos em longo prazo de infecções virais são pouco estudados. Contudo, algumas doenças já observadas mostram a permanência de uma síndrome pós-viral caracterizada por dor, fadiga e alteração de memória por até 1 ano após a infecção. Esse e diversos outros achados mostram que a infecção viral pode desencadear dor crônica generalizada ou regional, principalmente em pessoas que apresentam severidade e duração suficientes para interromper as atividades diárias. Na via contrária, existem evidências que indicam o aumento da susceptibilidade dos indivíduos que convivem com dor crônica de adquirirem infecções virais. Isto pode ocorrer devido a uma diminuição de resposta imune nesses indivíduos, sendo ainda mais provável com a concomitância de fatores de risco como depressão, baixa qualidade de sono e uso de opioides. Outra consequência que pode causar exacerbação de sintomas, inclui o acesso dificultado aos serviços de saúde para pessoas com dores crônicas, provocado pela diminuição da oferta de serviços para manejo da dor, filas mais prolongadas e ainda remanejamento de profissionais para combate as urgências hospitalares durante a pandemia. Este cenário é visto até mesmo para aqueles que se encontram internados, considerando que as tecnologias para manejo da dor são vistas com menor importância diante das urgências hospitalares em tempo de pandemia. As estratégias sugeridas para reduzir os efeitos descritos incluem a mobilização de serviços de reabilitação para garantir o acesso das pessoas à fisioterapia, serviços psicológicos e terapia ocupacional e a flexibilização dos profissionais da saúde para a telemedicina. Ademais, serviços de saúde mental devem estar preparados para identificar aumento de abuso de substâncias, violência doméstica e sinais de alerta de suicídio. É igualmente importante ressaltar o cumprimento das recomendações sugeridas pelas organizações internacionais, como a OMS, pelos especialistas e a comunidade acadêmica, em vista a reduzir as consequências drásticas da pandemia de COVID-19. Referência: Clauw DJ, Häuser W, Cohen SP, Fitzcharles MA. Considering the potential for an increase in chronic pain after the COVID-19 pandemic. Pain. 220;161(8):1694-1697. doi:10.1097/j.pain.0000000000001950 Alerta submetido em 07/12/2020 e aceito em 07/12/2020. Escrito por Laura Borges Lopes Garcia Leal.