Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

A prevalência de dor de cabeça crônica com e sem uso excessivo de medicação

DOL · Dor On Line Edição 172 · Novembro 2014 ⭳ Baixar em PDF

A dor de cabeça crônica (CH) é uma condição incapacitante, o indivíduo que sofre desse mal possui, em geral, uma menor qualidade de vida se comparado àqueles que não a possuem. Para ser considerado um quadro de CH os sintomas devem persistir em um período de quinze dias ou mais por mais de três meses, entretanto, no presente estudo o termo crônico é usado apenas para diferenciar pessoas que relataram um período muito longo de dor de cabeça daquelas que a apresentam por um espaço de tempo curto, não sendo necessariamente um diagnóstico. O estudo foi realizado na Universidade de Copenhague na Dinamarca e o diferencial em relação a outros estudos semelhantes é a inclusão da dor de cabeça crônica associada ao uso excessivo de medicamentos (MOH), já que o uso abusivo de analgésicos podem causar uma cronificação da cefaleia. A amostra consistiu em 68.518 entrevistados com idade igual ou superior a 16 anos de idade que foram alocados aleatoriamente a partir do Sistema de Registro Civil dinamarquês, esses indivíduos são moradores de duas regiões da Dinamarca que juntas representam 45,4% da população nacional com a idade alvo da pesquisa. Este estudo transversal do tipo inquérito foi implementado de janeiro a abril de 2010 e os participantes com CH divididos em dois grupos, o primeiro com dor de cabeça crônica sem o uso excessivo de medicamentos (CHnoO) e o segundo com pessoas com MOH. A CH foi relatada por 2.087 indivíduos, sendo mais comum entre as mulheres. Cerca de 53% dos participantes com CH foram identificados como tendo MOH. A maioria dos casos de MOH, 85,8% dos indivíduos, fazem uso de analgésicos de venda livre e sem prescrição, um número alarmante levando em conta que esse abuso gera uma cronificação do quadro de dor de cabeça. Quanto a posição socioeconômica (SEP) a prevalência de cefaleia crônica foi maior nos grupos com baixa SEP, destacando-se que a proporção de indivíduos com empregos fixos foi significativamente menor para aqueles com MOH em relação aos demais. O estado de saúde tanto físico quanto mental tiveram scores baixos para as pessoas com CHnoO e MOH independentemente da posição socioeconômica. Em suma, a pesquisa demonstra que a CH é mais comum em pessoas com uma posição socioeconômica baixa, mas o estado de saúde física e mental não apresentou nenhum resultado significativo entre os níveis socioeconômicos. O resultado da prevalência de CH foi de 3,3% da população dinamarquesa e metade dessas pessoas faz uso inadequado quase que diariamente de analgésicos aumentando o risco de MOH, uma forma completamente evitável de CH. Na edição de outubro deste ano, também trouxemos um alerta sobre o uso de AINES em populações idosas da Austrália, onde o problema do abuso de medicamentos também é mostrado [Uso de anti-inflamatório não esteroidal (AINES) em pacientes idosos, uma observação acerca de diretrizes clínicas e recomendações], assim como nosso próximo alerta. Referência: Westergaard ML, Glumer C, Hansen EH, Jensen RH. Prevalence of chronic headache with and without medication overuse: Associations with socioeconomic position and physical and mental health status. Pain. 2014 155(10):2005-13.

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