Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

A UTI neonatal e a dor

A utilização de sacarose nas UTIs neonatais para o controle da dor processual é o padrão atual utilizado na clínica. Porém, a Academia Americana de Pediatria ressalva a falta de estudos acerca de seu uso repetitivo e seus efeitos em longo p

DOL · Dor On Line Edição 206 · Setembro 2017 ⭳ Baixar em PDF

A utilização de sacarose nas UTIs neonatais para o controle da dor processual é o padrão atual utilizado na clínica. Porém, a Academia Americana de Pediatria ressalva a falta de estudos acerca de seu uso repetitivo e seus efeitos em longo prazo. Baseado nessa indagação e em estudos prévios, que relatam os efeitos negativos da dor precoce no desenvolvimento cerebral, foi vista a importância em relatar os efeitos do uso repetitivo da sacarose em lactentes.
Para chegar a tais resultados, utilizaram um modelo que mimetiza as condições de dor e tratamento das UTIs neonatais em 109 filhotes de camundongo, que desde sua primeira semana de vida foram divididos em dois grupos que receberiam o veículo ou sacarose por via oral e sofreriam três tipos de intervenções 10x ao dia: tátil não nociva com uso de cotonete, picada de agulha e manipulação. Nos dias 85 a 95, onde são considerados adultos, realizou-se a ressonância magnética para avaliar o volume de 159 regiões encefálicas. Foi verificado que os camundongos expostos precocemente à sacarose possuíam 22 regiões significativamente menores.
O uso da sacarose induziu volumes encefálicos menores, principalmente em regiões de substância branca do prosencéfalo, cerebelo e hipocampo. Foi descoberto que os filhotes de camundongos expostos e que passavam pela intervenção da picada de agulha na pata tiveram os piores resultados, tendo um volume encefálico menor predominantemente em áreas envolvidas no processamento nociceptivo. Referência: Tremblay S, Ranger M, Chau CM, Ellegood 3, Lerch JP, Holsti L, Goldowits D, Grunau RE. Repeated exposure to sucrose for procedural pain in

mouse pups leads to long-term widespread brain alterations. Pain. 2017, 158(8): 1586-1598. Alerta submetido em 25/08/2017 e aceito em 29/08/2017.
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