Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Divulgação Científica

A visão holística na abordagem da dor musculoesquelética

O modelo biomédico adotado no século passado trazia a abordagem da dor musculoesquelética sempre pelas lentes da ortopedia, com foco em estruturas específicas, unicamente. A transição para o modelo biopsicossocial, que vem dando passos nos

DOL · Dor On Line Edição 249 · Abril 2021 ⭳ Baixar em PDF

O modelo biomédico adotado no século passado trazia a abordagem da dor musculoesquelética sempre pelas lentes da ortopedia, com foco em estruturas específicas, unicamente. A transição para o modelo biopsicossocial, que vem dando passos nos últimos 20 anos, propõe uma visão abrangente do problema. Nesse modelo, o manejo da dor musculoesquelética deixa de ser apenas “consertar a parte quebrada”. Um estudo buscou trazer lacunas que ainda permeiam a compreensão e abordagem da dor musculoesquelética crônica. Houve uma revisão com o objetivo de delimitar pontos capazes de serem explorados a fim de conhecer melhor e, consequentemente, melhorar o manejo da dor musculoesquelética crônica. O conhecimento da dor musculoesquelética crônica se concentra nas áreas de neurociência, fisioterapia, ortopedia e reumatologia. Apesar dos aspectos decisivos, ainda há uma deficiência na abordagem interdisciplinar e interprofissional entre essas áreas. A interdisciplinaridade já é reconhecida como um importante fator na promoção da saúde e melhora da qualidade de vida do paciente. O ciclo da dor crônica também passa a ser um ponto importante abordado pelo modelo biopsicossocial. O comportamento motor do corpo é alterado pela dor e essa alteração traz consequências secundárias à dor musculoesquelética inicial. São citados o aumento do sedentarismo devido ao repouso e a influência do medo. O medo se torna um desafio, pois é responsável por mudanças patológicas no movimento do paciente com dor. Apesar das lacunas, já existem evidências positivas de abordagens que buscam superá-las. As terapias complementares como meditação, hipnose, relaxamento, acupuntura, ioga, entre outras, têm sido cada vez mais adotadas em associação à terapêutica tradicional. Seus efeitos são observados principalmente na melhora da capacidade funcional, na diminuição do medo e aumento de confiança. A integração entre as áreas de conhecimento da dor musculoesquelética crônica se mostra como a principal forma de abordar a dor musculoesquelética crônica. Referência: Langevin, H. M. Reconnecting the Brain With the Rest of the Body in Musculoskeletal Pain Research. The Journal of Pain, Vol 22, nº 1 (January), 2021: pp 1−8 Alerta submetido em 08/03/2021 e aceito em 01/04/2021. Escrito por Rafaela Silva Motta.

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