Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Administração local de morfina para analgesia após transplante de medula óssea

DOL · Dor On Line Edição 18 · 2001 ⭳ Baixar em PDF

A retirada autógena de células do osso ilíaco para transplante de medula óssea causa dor, e pode representar significante fonte de morbidade pós-operatória. Reuben e cols. do Departamento de Anestesiologia do Centro Médico de Baystate, Massachusetts, avaliaram a eficácia analgésica da morfina em 60 pacientes submetidos a esse tipo de transplante, quando aplicada no sítio da medula óssea em que as células foram retiradas. Esses pacientes reportaram menor dor e precisaram menos analgésico quando comparados aos grupos tratados com infusão de salina ou com morfina intramuscular. Após um ano, 25% do total de pacientes referiram a presença de dor crônica no local da cirurgia. A associação do quadro doloroso crônico local foi significativamente maior nos grupos tratados com salina ou morfina intramuscular (33% e 37%, respectivamente) em contraste ao grupo tratado com morfina local (apenas 5%). Esses resultados sugerem que pequenas doses de morfina aplicadas nos sítios de retirada das células, em pacientes submetidos a transplante de medula óssea, pode reduzir a dor local, o uso de morfina pós operatória e a incidência de dor crônica no local. Nota da redação: O mecanismo de ação da morfina aplicada localmente, possivelmente está ligada a estimulação (abertura) de canais de K+ ATP dependentes. A abertura desses canais promove a hiperpolarização do neurônio aferente primário reduzindo a propagação do impulso nociceptivo impedindo a instalação da hiperalgesia inflamatória, característica de processos inflamatórios. É de difícil explicação o efeito crônico, entretanto sabe-se que, experimentalmente, quando há a prevenção da instalação de quadros persistentes de dor inflamatória impede-se o aparecimento de "memória periférica da dor".

← Voltar à edição 18