Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Divulgação Científica

Adolescentes apresentam maior sensibilidade à dor

Estudo clínico realizado por pesquisadores norte-americanos fornece a primeira evidência de maior sensibilidade à dor leve e respostas cerebrais evocadas pela dor em adolescentes do sexo feminino, quando comparadas com mulheres adultas, em

DOL · Dor On Line Edição 271 · Fevereiro 2023 ⭳ Baixar em PDF

Estudo clínico realizado por pesquisadores norte-americanos fornece a primeira evidência de maior sensibilidade à dor leve e respostas cerebrais evocadas pela dor em adolescentes do sexo feminino, quando comparadas com mulheres adultas, em regiões cerebrais importantes para o processamento nociceptivo, afetivo e cognitivo, o que pode ser associado a diferenças na nocicepção periférica. Realizou- se a seleção de 30 adolescentes, entre 13 e 17 anos, e 30 adultas, entre 35 e 55 anos, sem dor aguda e qualquer história de distúrbios psiquiátricos, neurológicos ou de dor crônica. Essas mulheres foram submetidas a uma ressonância magnética funcional envolvendo dor aguda, de modo que as participantes receberam 12 estímulos de pressão nociva de dez segundos na base da unha do polegar esquerdo com intensidade de 2,5 kg/cm2 e 4 kg/cm2, sendo avaliados a intensidade da dor e o desconforto. Em relação as classificações de intensidade da dor e desconforto da dor a estímulos de pressão nocivos, as adolescentes apresentaram maior intensidade de dor e desconforto em resposta aos estímulos de 2,5 kg/cm2 quando comparadas com as mulheres adultas, e a resposta aos estímulos de 4 kg/cm2 foi semelhante em ambos os grupos analisados. O estudo também avaliou a assinatura neurológica da dor, um padrão cerebral multivariado que responde especificamente à dor somática, no qual as adolescentes mostraram respostas notavelmente mais fortes relacionadas à dor quando submetidas a estímulos de pressão nociva de 2,5 kg/cm2 e 4 kg/cm2. Assim, os resultados do estudo sugerem que a adolescência, particularmente no sexo feminino, é um período de desenvolvimento caracterizado pelo aumento da sensibilidade à dor. Além disso, o estudo também confirma que a idade representa uma fonte significativa de diferenças individuais na dor percebida e na ativação cerebral relacionada a estímulos nocivos, sendo necessário dar maior ênfase em pesquisas sobre o desenvolvimento da dor ao logo de toda a vida. Referências: Tong H, Maloney TC, Payne MF, et al. Processing of pain by the developing brain: evidence of differences between adolescent and adult females. Pain. 2022;163(9):1777-1789. doi:10.1097/j.pain.0000000000002571 Alerta submetido em 02/09/2022 e aceito em 09/09/2022. Escrito por Jessica Correia de Oliveira Souza.

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