
Alteração na expressão de genes na medula espinal pode ser responsável pelo desenvolvimento da memória da dor
A literatura científica mostra que a injeção de carragenina na pata de ratos causa hiperalgesia e que, apesar da completa recuperação após alguns dias, os animais passam a apresentar uma resposta hiperalgésica aumentada quando um novo estímulo inflamatório é aplicado. Em trabalho recentemente publicado na revista BMC Neuroscience, os pesquisadores demonstraram que ocorrem mudanças na expressão de genes na medula espinal 24 horas (pico da inflamação) e 28 dias após a injeção de carragenina. Entre os milhares de genes analisados, 356 estavam expressos diferentemente após os 28 dias em relação ao grupo-controle, e, 329 após 24 h. Desses genes expressos de forma diferente, 67 deles foram identificados como sendo importantes para as vias de condução da dor - cuja intensidade se mostrou alterada em diferentes modelos de avaliação de sensibilidade dolorosa – ou associados a proteínas envolvidas nas vias nociceptivas. Em conclusão, os autores sugerem que mudanças persistentes na expressão de genes envolvidos na formação de novas sinapses e na neurogênese podem contribuir para a transição da dor aguda para crônica. Autores e procedência do estudo: Rustam Yukhananov and Igor Kissin - Neurogenomic Laboratory Department of Anesthesiology, Perioperative and Pain Medicine, Brigham and Women's Hospital, Boston, USA; Referência: Persistent changes in spinal cord gene expression after recovery from inflammatory hyperalgesia: a preliminary study on pain memory. BMC Neurosci. 2008 Mar 13;9:32.