
Análise de pacientes com dores crônicas devido a trauma de extremidades baixas sugere que fatores socioeconômicos podem facilitar o aparecimento da dor de longa duração
Apesar da etiologia da dor crônica após trauma ainda não ser bem compreendida, inúmeros estudos retrospectivos mostram que uma significante proporção de pacientes com dores crônicas possuem histórico de injúria traumática. Uma análise por longo tempo (7 anos) da prevalência e da ocorrência de fatores predisponentes à dor crônica foi realizada em pacientes com trauma severo de extremidades baixas por pesquisadores da Universidade de Johns Hopkins, liderados por Renan Castillo. A intensidade de dor crônica foi avaliada pelo Escala Graduada de Dor Crônica (GCPS – Graded Chronic Pain Scale), que mede tanto a severidade da dor quanto a sua interferência nas atividades diárias do paciente. Os autores enfatizam que os pacientes que sofrem de traumas severos das extremidades baixas afirmam ter dores crônicas em grau significativamente maior que a população geral, em níveis comparáveis aos pacientes com cefaleia associada a migrâneas e pacientes com lombalgias. Interessantemente, alguns fatores detectados parecem influenciar o aparecimento do quadro doloroso precocemente, como menor nível de instrução e altos níveis de consumo médio de álcool antes da ocorrência do trauma. Além disso, alta intensidade de dor, distúrbios do sono e de descanso, e altos níveis de depressão e ansiedade três meses após o trauma também parecem ter influenciado a presença de dor após sete anos. Mais ainda, foi verificado que os pacientes tratados com medicamentos narcóticos durante os 3 primeiros meses após o trauma tinham menores níveis de dores crônicas. O estudo em questão mostra que, aparentemente, fatores como os avaliados podem ter influência na continuidade da dor por longo tempo após o trauma. Ainda, pacientes que se enquadram nessas categorias de risco que procuram por tratamento da dor e/ou tratamento psicológico parecem ter diminuídas a probabilidade e a severidade da ocorrência de dores crônicas. (LFF) Nota da redação: O que chama a atenção neste estudo é que este é um dos poucos trabalhos que avaliam a influência de fatores sociais e econômicos no desenvolvimento da sensibilidade dolorosa de longa duração. Outros estudos do mesmo tipo devem ser realizados para confirmar o impacto desses fatores na diminuição do limiar de dor pós-operatório. Autores e procedência do estudo: Renan C. Castillo (a), Ellen J. MacKenzie (a), Stephen T. Wegener (b), Michael J. Bosse ©, The LEAP Study Group – (a) Bloomberg School of Public Health, Johns Hopkins University, Baltimore, MD, USA; (b) Department of Physical Medicine and Rehabilitation, Johns Hopkins University, Baltimore, MD, USA; © Department of Orthopaedic Surgery, Carolinas Medical Center, Charlotte, NC, USA. Referência: Prevalence of chronic pain seven years following limb threatening lower extremity trauma. Pain 124 (2006) 321–329./