Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Divulgação Científica

Animais sentem dor do outro

Para muitas pessoas a expressão “eu posso sentir a sua dor” representa nada mais que um gesto de empatia e solidariedade entre amigos e bons conhecidos. Contudo, aparentemente essa expressão carrega um peso um pouco maior. Dados recentes su

DOL · Dor On Line Edição 199 · Fevereiro 2017 ⭳ Baixar em PDF

Para muitas pessoas a expressão “eu posso sentir a sua dor” representa nada mais que um gesto de empatia e solidariedade entre amigos e bons conhecidos. Contudo, aparentemente essa expressão carrega um peso um pouco maior. Dados recentes sugerem a possibilidade de que camundongos são, de fato, capazes de sentir a dor de seus companheiros, não através de mecanismos emocionais empáticos, mas sim através do olfato. O grupo de pesquisa do professor Andrey Ryabinin, um neurocientista do Oregon Health & Science University em Portland acaba de se deparar acidentalmente com este fato. Buscando por novas maneiras e mecanismos para aliviar os sintomas da síndrome de abstinência induzida pela retirada do álcool, seu grupo de pesquisa iniciou um projeto visando compreender mais a fundo as características da dor tipo-neuropática apresentada pelos pacientes durante a abstinência. Para isso, o grupo desenvolveu um protocolo que consistia de um grupo “alcoólatra”, um grupo “alcoólatra em abstinência” e outro grupo de animais que não foram

expostos a nenhum tipo de tratamento ou manipulação, todos mantidos na mesma sala. Ao final do experimento no qual foram avaliadas várias formas de sensibilidade dolorosa, os pesquisadores observaram que os animais sem tratamento algum também apresentaram alterações em sua sensibilidade dolorosa, o que acharam estranho. Para confirmar este dado, eles repetiram mais uma vez o experimento, mantendo os animais não tratados em uma sala diferente, e não observaram nenhuma alteração na sensibilidade dos mesmos. Intrigados pelo fato incomum, decidiram investigar mais este fato. Inicialmente acharam que isso se deveria a estresse de estar submetidos ao ambiente de observação junto a animais dependentes químicos e apresentando dor. Contudo seus marcadores hormonais para níveis de estresse estavam normais. Uma segunda possibilidade seria um estado de ansiedade relacionado a manipulação e avaliação comportamental. Usando um teste comportamental clássico para detecção de ansiedade, os pesquisadores concluíram que não se tratava disso também. Como os animais permaneciam na mesma sala, outras possibilidade seria o contato visual entre os animais. Contudo, a posição e material das caixas dificultava muito essa forma de comunicação. Em uma úultima cartada decidiram investigar a possibilidade de essa alteração ser causada pela troca de odores entre os animais. Para isso, eles transferiram a forração da caixa dos animais neuropáticos para a caixa de animais saudáveis. Após algum tempo, perceberam que estes animais desenvolveram alterações sensoriais similares as do grupo dependente em abstinência. Assim, Ryabinin conclui que deva existir alguma forma de comunicação olfativa entre animais, mesmo que entre colônias diferentes. Apesar de preliminar, estes dados sugerem a possibilidade da troca de informações entre animais de laboratório em diferentes níveis sensoriais, o que pode vir a ser uma possibilidade mesmo para a população humana.
Referência: http://www .sciencemag.org/news/2016/10/mice-feel-each-others-
pain?utm. source=newsfromscience&utm. medium=facebook-
text&utm campaign=micefeelpain-8525
Alerta submetido em 25/10/2016 e aceito em 01/11/2016.

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