
As ameaças sociais do COVID-19 para pessoas com dor crônica
A COVID-19 trouxe consigo diversas restrições, como o isolamento social que afetaram o modo como as pessoas se conectam, seu modo de vida e seu bem- estar. Aqueles que convivem com dor crônica já enfrentam ameaças as suas necessidades socia
A COVID-19 trouxe consigo diversas restrições, como o isolamento social que afetaram o modo como as pessoas se conectam, seu modo de vida e seu bem- estar. Aqueles que convivem com dor crônica já enfrentam ameaças as suas necessidades sociais como pertencimento e independência. Assim sendo, o presente estudo visa analisar como essas ameaças sociais recaem sobre os indivíduos que possuem dor crônica. Manter conexões sociais auxilia na redução do estresse, aumenta o bem-estar e reduz a sensibilidade à dor. A ascensão da COVID-19 reverteu este quadro, haja vista que uma das principais medidas para conter a disseminação do vírus é justamente o isolamento social, que é um dos aspectos mais angustiantes de se viver com a dor crônica. Esta situação levará ao aumento da prevalência de solidão principalmente para aqueles que não possuem recursos de se manter conectado por meios tecnológicos, e mesmo assim, estar fisicamente isolado já auxilia na exacerbação da dor. Outro fator a ser considerado é a proximidade forçada com outros indivíduos, como os familiares. Estes podem demonstrar comportamentos protetores exacerbados para com os portadores de dor crônica ou mesmo insensíveis diante da dor experimentada pelo outro. Isso pode levar o paciente a desenvolver sentimento de culpa por se sentir um fardo. O confinamento também pode gerar a ocorrência de conflitos interpessoais que desencadeiam a dor. Vale lembrar que o abuso doméstico aumentou durante a pandemia e este também é fator crucial para o aumento dos níveis de dor. É possível observar as mudanças no sistema de saúde para lidar com o impacto promovido pela pandemia, dando prioridade ao tratamento de sintomas associados à COVID-19 em detrimento de outros tratamentos individuais como a dor crônica, diminuindo assim a busca por ajuda e aumentando o sofrimento dos pacientes com dor. Por outro lado, há o aumento da jornada de trabalho experimentado por profissionais de saúde que sobrecarregados tendem a dar preferência ao manejo farmacológico da dor, principalmente com opioides, fomentando assim um problema já existente. A COVID-19 evidenciou também a disparidade socioeconômica, haja vista que os grupos marginalizados desenvolveram maior taxa de dor crônica já que possuem acesso limitado aos recursos de saúde utilizados durante a pandemia, ampliando assim a desigualdade em dor. Até mesmo o advento da telessaúde que se mostra benéfico ao possibilitar a prestação de serviço em saúde à distância e também na redução do isolamento, não é acessível àqueles que possuem recursos e alfabetização digital limitada. Assim, é possível observar que a pandemia destacou as ameaças sociais já existentes para pacientes com dor crônica. Para evitar a exacerbação da dor, faz-se necessária a avaliação e prevenção dessas ameaças, além de entender que a pandemia não é apenas um desafio, mas uma oportunidade para desenvolver
outras formas no controle da dor e no apoio social para aqueles que sofrem com a dor crônica. Referência: Kai Karos, Joanna L. McParland, Samantha Bunzli, Hemakumar Devan, Adam Hirsh, Flavia P. Kapos, Edmund Keogh, David Moore, Lincoln M. Tracy, and Claire E. Ashton-James. The social threats of COVID-19 for people with chronic pain. Pain. 2020 Oct; 161(10): 2229–2235. Alerta submetido em 07/12/2020 e aceito em 07/12/2020. Escrito por Giovanna França Alves.