
As diferenças raciais podem impactar na avaliação da dor?
Kissi, A. et al. realizaram um estudo com o objetivo de entender se o processo da dor em pessoas negras e brancas é diferente sob o olhar de um observador branco. Tiveram como principal achado que não houve diferença na avaliação do process
Kissi, A. et al. realizaram um estudo com o objetivo de entender se o processo da dor em pessoas negras e brancas é diferente sob o olhar de um observador branco. Tiveram como principal achado que não houve diferença na avaliação do processo da dor, pelo contrário, observadores brancos podem ser mais sensíveis à dor de pessoas negras do que de pessoas brancas. Esse estudo contou com 102 participantes holandeses dos quais, 15 eram homens e 87 eram mulheres. De início, os participantes responderam à um questionário sobre suas vidas pessoais e se tiveram contato com pessoas negras. Logo, fizeram uma atividade de pesquisa visual indicando qual avatar estava sentindo dor em uma série de avatares negros e brancos dispostos em círculos. Por fim, realizaram avaliação da dor desses avatares indicando se estavam, em uma escala de 0 a 10, com nenhuma dor à muita dor. A principal limitação desse estudo foi a amostra de participantes pois, seria interessante se fossem profissionais da saúde. Receber o devido tratamento para a dor é um direito humano fundamental e, infelizmente, a incapacidade de avaliar a dor dos pacientes negros faz com que esses recebam tratamento incompatível com seu nível de dor. Apesar da amostra de participantes não terem sido os profissionais da saúde, esse estudo oferece uma nova compreensão sobre como as diferenças raciais podem surgir na estimativa de dor. A realização de pesquisas futuras para investigar diretamente até que ponto os pacientes negros são impactados com a avaliação da dor pelos profissionais da saúde se faz necessária. Referência: Kissi, A., Van Ryckeghem, D., Mende-Siedlecki, P., Hirsh, A., & Vervoort, T. (2022). Racial disparities in observers' attention to and estimations of others' pain. Pain, 163(4), 745–752. https://doi.org/10.1097/j.pain.0000000000002419 Alerta submetido em 04/04/2022 e aceito em 11/04/2022. Escrito por Rebeca Dias dos Santos.