Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

As taxas de uso indevido de opioides, abuso e dependência em dor crônica

DOL · Dor On Line Edição 178 · Maio 2014 ⭳ Baixar em PDF

O uso de opioides no tratamento da dor crônica é complexo, pois os pacientes podem ter tanto benefícios quanto danos. A identificação de indivíduos utilizando opioides de uma forma problemática atualmente é importante, tendo em conta os recentes aumentos substanciais nas taxas de prescrição e consequente aumento da morbidade e mortalidade. No tratamento da dor crônica, pode não haver área de maior controvérsia do que o uso de opioides. O objetivo deste estudo foi realizar uma revisão atualizada do uso problemático de opioides em dor crônica, usando termos definidos para as taxas de uso problemático na literatura. Para essa revisão, foram selecionados artigos com participantes sob terapêutica de opioides por via oral, portadores de dor crônica não oncológica, com idade igual ou superior a 18 anos. A codificação do uso problemático foi categorizada de acordo com os consensos publicados por dois órgãos competentes (IMMPACT e ACTION), da seguinte forma: USO INDEVIDO: Utilização de opioides contrária ao prescrito padrão de utilização, independentemente da presença ou ausência de danos ou efeitos adversos; ABUSO: Uso intencional de opioides para fins não médicos, tais como euforia ou alterar seu estado de consciência; VÍCIO: Padrão de uso contínuo com experiência de dano, ou potencial para o mesmo. Dentre os estudos analisados, 92% mostraram números para uso indevido ou vício, ao passo que o restante relatou ambos. No total, 76% dos estudos relataram sobre as taxas de uso indevido e 32%, sobre as taxas de vício. Abuso foi relatado em um único estudo, por isso, não foram realizados taxa de prevalência para tal. Um dado curioso analisado foi que a esmagadora maioria dos estudos nesta revisão realizou-se nos Estados Unidos. Apenas três dos 38 estudos, foram realizados em outros países, o que sugere que talvez esse seja um problema, de alguma forma, exclusivo para os EUA. Esta última interpretação é fortalecida pelo achado de Manchikanti (2010) indicando que a população dos Estados Unidos, que representa aproximadamente 5 % da população da Terra, consumiu aproximadamente 80% da oferta mundial de opioides prescritos na primeira década deste século. Um estudo de Baltieri (2004) evidencia que o uso problemático de opioides no Brasil tem a prevalência relativamente baixa, chegando a ser considerada nula. Esta é uma questão intrigante e provavelmente existem muitos fatores desconhecidos envolvidos. Referências: Vowles KE1, McEntee ML, Julnes PS, Frohe T, Ney JP, van der Goes DN. Rates of opioid misuse, abuse, and addiction in chronic pain: a systematic review and data synthesis. Pain. 2015, 156(4):569-76. Chou R, Fanciullo GJ, Fine PG, Miaskowski C, Passik SD, Portenoy RK. Opioids for chronic noncancer pain: prediction and identification of aberrant drug-related behaviors: a review of the evidence for an American Pain Society and American Academy of Pain Medicine clinical practice guideline. J Pain 2009, 10:131–46. Manchikanti L, Fellows B, Ailinani H, Pampati V. Therapeutic use, abuse, and nonmedical use of opioids: a ten-year perspective. Pain Physician 2010, 13:401–35. Danilo Antonio, Baltieri; Eric C, Strain; João Carlos, Dias; Sandra, Scivoletto; André, Malbergier; Sérgio, Nicastri; Cláudio, Jerônimo; Arthur Guerra de, Andrade. Diretrizes para o tratamento de pacientes com síndrome de dependência de opioides no Brasil / Brazilian guideline for the treatment of patients with opioids dependence syndrome. Rev. Bras. Psiquiatr. 2004, 12:26(4), 259-269.

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