Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Aspectos biopsicossociais relacionados à persistência da dor em crianças

e adolescentes Existem fatores que podem predizer a persistência da dor musculoesquelética em crianças e adolescentes? Essa foi a pergunta que um estudo publicado na edição de maio da revista Pain procurou responder. A relação entre aspec

DOL · Dor On Line Edição 203 · Junho 2017 ⭳ Baixar em PDF

e adolescentes
Existem fatores que podem predizer a persistência da dor musculoesquelética em crianças e adolescentes? Essa foi a pergunta que um estudo publicado na edição de maio da revista Pain procurou responder.
A relação entre aspectos biopsicossociais e dor crônica tem sido muito estudada nos últimos anos, diferentes pesquisas trazem que aspectos como sexo, idade avançada, ansiedade, depressão e até mesmo baixa condição econômica são fatores ligados à cronicidade da dor em adultos, todavia tais resultados não podem ser estendidos para uma população tão específica como crianças.
Estudos epidemiológicos mostram que a dor musculoesquelética persiste por um período de 1-4 anos em cerca de 30% das crianças e adolescentes e que essas crianças podem apresentar durante a fase adulta um quadro de dor generalizada, altas taxas de ansiedade, incapacidade e consequentemente maiores gastos com saúde. Estes dados mostram que a persistência da dor nessa população não deve ser ignorada.
Nesse sentido, o estudo acompanhou crianças e adolescentes (idade entre 10 e 17 anos) que chegaram a um centro médico com queixas de dor musculoesquelética para verificar quais aspectos poderiam estar relacionados à persistência da dor, incapacidade e pior qualidade de vida em um período de quatro meses. Os seguintes aspectos foram avaliados: sexo, intensidade da dor, sintomas depressivos, qualidade do sono, catastrofização da dor, medos/antecipação ou evitamentos relacionados à dor e modulação da dor.
Os resultados mostram que no período de quatro meses, 44% das crianças apresentaram persistência da dor, o único aspecto que diferiu aqueles que apresentaram persistência da dor e aqueles que se recuperaram foi a baixa modulação da dor. Ao se relacionar os aspectos listados acima, observou-se que o sexo feminino e baixa modulação da dor foram preditores para a persistência da dor; baixa modulação da dor e sintomas depressivos para incapacidade relacionada à dor; sintomas depressivos para pior qualidade de vida. A partir do conhecimento produzido pelos autores, podemos identificar e monitorar as crianças e adolescentes que são mais susceptíveis a persistência da dor musculoesquelética e dessa forma entrar com terapias adjuntas para complementar o tratamento e ter melhores resultados.
Referência: Holley AL, Wilson AC, Palermo TM. Predictors of the transition from acute to persistent musculoskeletal pain in children and adolescents: a prospective study. Pain. 2017;158(5):794-801.
* Possui graduação em Fisioterapia pela Universidade Estadual de Goiás (2015). Atualmente é Fisioterapeuta na Pontifícia Universidade Católica de Goiás, faz pós- graduação em Fisioterapia Esportiva na Universidade Estadual de Goiás (UEG) e mestrado em Ciências e Tecnologias em Saúde na Universidade de Brasília (UnB). Alerta submetido em 13/06/2017 e aceito em 13/06/2017.

← Voltar à edição 203