Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Aspirina pode combater danos da quimioterapia

DOL · Dor On Line Edição 25 · 2002 ⭳ Baixar em PDF

A aspirina pode proporcionar mais um benefício, segundo uma pesquisa divulgada na revista Laboratory Investigation. Estudos anteriores já haviam mostrado que os salicilatos podem proteger o aparelho auditivo dos efeitos colaterais dos antibióticos aminoglicosídeos. Agora uma nova pesquisa feita nos EUA sugere que os salicilatos podem proteger os aparelhos auditivo e renal dos efeitos danosos causados pela cisplatina (CDDP), um agente quimioterápico utilizado no tratamento do câncer. Os pesquisadores avaliaram primeiramente os efeitos sobre o ouvido interno de ratos que receberam uma infusão única de cisplatina (16 mg/kg) com e sem tratamento com 100 mg/kg de salicilato por 5 dias, iniciado um dia antes da infusão de CDDP. A cisplatina induziu mudança no limiar auditivo de mais de 30 dB, que foi significantemente reduzida pelo salicilato. Em uma segunda etapa, foram avaliados os possíveis efeitos protetores do salicilato sobre a cóclea (órgão do ouvido interno onde é processada a audição), sobre a velocidade de condução neural e sobre o sistema renal, utilizando um modelo de câncer de mama em ratos, no qual os animais receberam doses de cisplatina (3 x 5 mg/kg) e salicilato (100 mg/kg), sendo que o tratamento com salicilato foi iniciado 2 dias antes do início do tratamento com cisplatina e continuado por 3 dias após cessada a administração do quimioterápico. O salicilato reduziu drasticamente a mudança do limiar auditivo, que somente com cisplatina seria de 20 dB, para 5 dB com o uso concomitante da aspirina, além de reduzir significativamente a perda de células cocleares ciliadas externas. Ao mesmo tempo, teve efeito protetor sobre o aparelho renal (medido em índices de excreção de creatinina). No entanto, os efeitos protetores sobre a velocidade de condução neural de fibras motoras e sensitivas foram mínimos. Finalmente, verificou-se que o efeito quimioterápico da cisplatina na supressão da massa tumoral e de metástases de células cancerosas permaneceu inalterado pelo salicilato. Estes resultados sugerem que o uso de salicilatos pode ser importante na prevenção dos efeitos colaterais de nefrotoxicidade e ototoxidade associados ao uso da cisplatina.

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