
Associação de analgésicos nem sempre é uma boa opção para tratamento de dores: toxicidade dos medicamentos pode ser exacerbada pela combinação
García-Hernández e cols., do México, em artigo publicado na revista Pharmacology, Biochemistry and Behavior, estudaram o efeito analgésico do inibidor seletivo da enzima ciclooxigenase(COX)-2 rofecoxibe e do analgésico opioide “atípico” tramadol, administrados isoladamente ou em combinação, em modelo experimental de dor artrítica em ratos, além de avaliar os efeitos gástricos indesejáveis produzidos por essas drogas. Os resultados obtidos mostraram que ambas são efetivas, de maneira dose-dependente, em reduzir a nocicepção quando administradas isoladamente por via oral. Porém, não foram observadas alterações no efeito antinociceptivo quando estas drogas foram associadas. A avaliação dos efeitos gástricos indesejáveis surpreendeu os autores, pois mostrou que a administração isolada do rofecoxibe, mas não do tramadol, provocou lesões e úlceras, contribuindo, assim, para os dados recentemente publicados sobre o potencial desses medicamentos de causar lesões gástricas, ao contrário do que se imaginava. Interessantemente, as úlceras estavam aumentadas nos animais que receberam a co-administração das drogas. Com base nestes resultados, os autores concluem que, embora a combinação de medicamentos seja uma prática clínica bastante comum, com o objetivo de aumentar a eficácia de tratamentos para dores agudas e crônicas, a utilização da combinação rofecoxibe+tramadol deve ser vista com cautela. Nota da Redação: A terapia mais efetiva para tratamento das dores moderadas e severas (entre elas, a artrite) é a utilização de drogas opioides. Entretanto, os efeitos indesejados causados por esta classe de medicamento são um grande problema. Uma das soluções para minimizar estes efeitos seria a redução das doses de opioides administradas aos pacientes, porém tal manobra resulta na diminuição ou até mesmo na ausência do efeito analgésico da droga. Assim, a utilização de associações de duas ou mais classes de fármacos em pequenas doses tem sido recomendada, na tentativa de minimizar os efeitos colaterais. Porém, como mostra este trabalho, nem sempre essa manobra é segura o bastante, de modo que os riscos podem superar os benefícios almejados. Autores e procedência: Liliana García-Hernández(c), Myrna Déciga-Campos(a), Uriah Guevara-López(b), Francisco Javier López-Muñoz (c,*) – (a) Facultad de Farmacia, Universidad Autónoma del Estado de Morelos, Av. Universidad 1001, Chamilpa, Cuernavaca, Morelos, C.P. 62210, México; (b) Clínica del Dolor del Instituto Nacional de Cs. Médicas y Nutrición “Salvador Subirán”, Investigador de la UMAE Magdalena de las Salinas del IMSS, México D.F., México; (c) Departamento de Farmacobiología, Cinvestav-Sede Sur, México D.F., México. Referência: Co-administration of rofecoxib and tramadol results in additive or sub-additive interaction during arthritic nociception in rat. Pharmacology, Biochemistry and Behavior xx (2007) xxx–xxx. Article in press.