Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Atirar em monstros ajuda a diminuir a dor – o mundo virtual pode ser um instrumento interessante para diminuir a dor e desconforto de pacientes vítimas de queimaduras

DOL · Dor On Line Edição 80 · Março 2006 ⭳ Baixar em PDF

Uma equipe do Adelaide´s Hospital, na Austrália, verificou que o mundo virtual pode ajudar a diminuir a dor em crianças vítimas de queimaduras. Assim, jogos eletrônicos podem se tornar um instrumento auxiliar para diminuir o sofrimento e o desconforto de pacientes internados. Sete crianças com idade entre 5 e 18 anos tiveram as roupas trocadas enquanto jogavam videogames. Embora todas as crianças avaliadas houvessem sido medicadas com drogas analgésicas, as que estavam concentradas no contexto dos jogos durante a troca de roupas registraram menor dor do que quando não estavam entretidas em atirar em monstros ou alienígenas. Para avaliar a intensidade da dor, os membros da equipe utilizaram escalas nas quais figuras representavam diferentes graus de sensação dolorosa. O equipamento utilizado consistia em fones de ouvido e duas telas de computador acopladas de modo que as crianças ficavam praticamente “imersas” no mundo virtual, na companhia de personagens como monstros e aliens. Também foram comparadas as respostas de crianças que apenas haviam tomado analgésicos e crianças medicadas que jogavam os jogos eletrônicos, e, ao serem perguntadas sobre o quão intensa foi a dor sentida durante a troca das roupas, as últimas também mostraram ter sentido menos dor. Liz McArthur, enfermeira especialista no manejo de dor do Hospital Alder Hey, em Liverpool, diz que “jogos e distrações interferem na transmissão da dor. Além disso, o que causa stress nas crianças é a ansiedade e as lembranças de situações dolorosas. Assim, a distração também ajuda. Quando pedimos para algumas crianças imaginarem-se em lugares diferentes, a dor também parece ter diminuído”. Já a doutora Ann Goldman, consultora em cuidados paliativos do Great Osmond St Hospital, em Londres, completa dizendo que o procedimento “depende da idade da criança. De qualquer maneira, ajuda a concentrar suas mentes e relaxar”. Outros relatos e vários trabalhos científicos também indicam o efeito da distração sobre a transmissão da dor e as pesquisas neste campo certamente auxiliam a compreensão dos mecanismos pelos quais o cérebro constrói a percepção da dor.

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