
Ativação do receptor espinal de adenosina reduz a hipersensibilidade pós-cirúrgica por um mecanismo diferente daquele observado após lesão de nervo
Inúmeras evidências na literatura têm relatado que agonistas de receptores para adenosina, especificamente do subtipo A1, presentes na medula espinal, produzem antinocicepção em condições de hipersensibilidade. Entretanto, a administração direta de adenosina desencadeia reações adversas por estimular todos os seus subtipos de receptores. Para resolver esse problema foi desenvolvido um modulador alostérico positivo do receptor A1 para adenosina, nomeado T62 (2-amino-3-(4-chlorobenzoyl)-5,6,7,8-tetrahydrobenzothiophen). Obata e cols. demonstraram que a administração intratecal de T62 é efetiva em reduzir a hipersensibilidade pós-operatória. A associação do T62 com um agonista a2-adrenérgico (clonidina) resultou em sinergismo, que foi apenas parcialmente antagonizado por idazoxano (antagonista a2-adrenérgico). Sugeriu-se, desta maneira, que, neste modelo de dor pós-operatória, o T62 não depende completamente da ativação de adrenoceptores a2. Referência: Anesthesiology 100(5): 1258-1262, (2004).