
Avaliação da dor em pacientes de UTI por meio de escalas
A dor se trata de uma experiência subjetiva e pessoal e, da mesma forma, sua percepção e avaliação são igualmente individuais. Numa unidade de terapia intensiva (UTI), grande parte dos pacientes está em uso de sedativos ou com rebaixamento
A dor se trata de uma experiência subjetiva e pessoal e, da mesma forma, sua percepção e avaliação são igualmente individuais. Numa unidade de terapia intensiva (UTI), grande parte dos pacientes está em uso de sedativos ou com rebaixamento do nível de consciência, impossibilitando o autorrelato da dor. Com base nisso, existem escalas mundialmente utilizadas para a avaliação da dor em UTI, embora ainda sejam desconhecidas por muitos profissionais. Uma revisão sistemática publicada em setembro de 2020 buscou sumarizar os dados acerca da validade, confiabilidade e reprodutibilidade das escalas de avaliação da dor em UTI. Foram selecionados 58 estudos com amostra de 8.122 indivíduos, sendo 7.787 adultos e 335 crianças. No Brasil, duas escalas foram validadas para a língua portuguesa: a Behavioral Pain Scale (BPS) e Critical-Care Pain Observation Tool (CPOT). Dois estudos que avaliaram a BPS evidenciaram baixa confiabilidade. Contudo, um estudo realizado por Klein et al. mostrou que a BPS e CPOT apresentam bons índices de validade. Além disso, avaliações dessas escalas realizadas a nível mundial evidenciam ausência de diferença entre elas. As demais escalas encontradas na revisão não apresentam validação para a língua portuguesa e, de forma geral, indicam bons índices psicométricos e pouca diferença quando comparadas entre si. O estudo reforça a necessidade da avaliação da dor em pacientes incapazes de verbalizar, de forma que se possa melhorar o uso da analgesia e sedação, afinal, a dor não pode ser tratada se não for avaliada. Além disso, o serviço deve estabelecer protocolos de avaliação utilizando escalas que fornecem maior facilidade de aplicação e apresentam familiaridade com toda a equipe, visto que a maioria das escalas de avaliação da dor apresentam índices de validade, confiabilidade e reprodutibilidade satisfatórios. Referência: HORA TCNS, ALVES IGN. Escalas para a avaliação da dor na unidade de terapia intensiva. Revisão sistemática. BrJP [online]. 2020, vol.3, n.3, pp.263-274. doi: 10.5935/2595- 0118.20200043. Alerta submetido em 07/12/2020 e aceito em 03/12/2021. Escrito por Laura Borges Lopes Garcia Leal