
Baclofen intratecal no tratamento da Síndrome de Dor Complexa Regional tipo I
A administração de baclofen intratecal (i.t.) no tratamento da Síndrome de Dor Complexa Regional tipo I (CRPS I) pode ser uma alternativa para pacientes que não obtiveram melhora após tratamento com outras drogas ou procedimentos. A CRPS tipo I é uma síndrome que desenvolve-se usualmente após evento nocivo ameno, não associado à injúria de fibras nervosas. Pode decorrer ainda de traumas, pequenas fraturas, lesões de tecidos moles ou paralização decorrente de doenças viscerais (angina, AVE). Os sinais clínicos são edema, alterações da vascularização e temperatura da pele, transpiração anormal na região da dor, alodinia e/ou hiperalgesia. A dor é frequentemente descrita como surda, contínua, exarcebada pelo movimento, estimulação contínua ou estresse. Em estudo clínico, duas pacientes com sintomas de CRPS tipo I há mais de 5 anos, que já haviam sido tratadas com bloqueio simpático, simpatectomia, estimulações da medula espinal e vários medicamentos, mostraram melhora após tratamento com baclofen i.t. A primeira apresentou controle duradouro da dor, da alodinia e da disfunção autonômica com a combinação de baclofen e clonidina, após insucesso com morfina i.t. O baclofen i.t. sozinho produziu efeitos colaterais intoleráveis nas doses necessárias para produzir analgesia. A segunda paciente apresentou controle duradouro da dor, da alodinia e da disfunção autonômica com baclofen i.t sozinho. Os autores concluem que o baclofen parece ser uma opção para pacientes com CRPS intratável que não obtiveram sucesso com outras terapias, inclusive com morfina.