Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Baixas doses de aspirina podem prevenir pré-eclâmpsia

DOL · Dor On Line Edição 166 · Junho 2013 ⭳ Baixar em PDF

A pré-eclâmpsia é uma desordem que se manifesta na gravidez, caracterizando-se por pressão arterial elevada e de grandes quantidades de proteínas na urina. Se deixada sem tratamento, a pré-eclâmpsia pode evoluir para eclâmpsia, levando ao risco de convulsões durante a gravidez e até mesmo ao óbito. A pré-eclâmpsia está associada a vários distúrbios fisiológicos e bioquímicos maternos e fetais. As causas e patogênese da pré-eclâmpsia ainda não foram definitivamente descobertas, embora a síndrome seja quase certamente o resultado de múltiplos fatores. A pré-eclâmpsia afeta entre 2-8% das gestações em todo o mundo. Sendo segundo a comissão U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF), um dos problemas mais graves que podem afetar gestantes. Ela pode se desenvolver após 20 semanas de gestação, embora ocorra mais comumente após a 32º semana. A pré-eclâmpsia que ocorre antes de 32 semanas é considerado de início precoce e está associada ao aumento de morbidade das gestantes e dos bebês. Assim, a partir de um estudo de revisão realizado por um grupo de pesquisadores americanos, a USPSTF passou a recomendar à ingestão diária de pequenas doses de aspirina para reduzir o risco de pré-eclâmpsia. Esta recomendação da USPSTF se baseia em vários testes clínicos que demonstram que doses baixas de aspirinas, entre 50 e 160 miligramas diárias, diminuem em 24% o risco de pré-eclâmpsia e em 14% o risco de nascimentos prematuros dos bebês. A USPSTF sugere que as mulheres com grande probabilidade de ter pré-eclâmpsia tomem 81 miligramas de aspirina após 12 semanas de gestação. A comissão também considera que as grávidas com vários fatores de risco moderados, como obesidade, antecedentes familiares de pré-eclâmpsia, com mais de 35 anos e que possuem origem negra, poderiam tomar doses leves de aspirina. O comitê indica, por fim, que a aspirina parece não provocar efeitos colaterais no curto prazo durante a gravidez, ao citar uma análise de 19 estudos clínicos. Com isso, tem-se mais uma função de grande importância para um anti-inflamatório clássico, que possui muito efeitos farmacológicos além dos que já conhecemos até hoje na clínica. Referências: Bujold E, Roberge S, Nicolaides KH.Prenat Diagn. Low dose aspirin for prevention of adverse outcomes related to abnormal placentation. 2014. doi: 10.1002/pd.4403. Henderson JT, Whitlock EP, OConner E, Senger CA, Thompson JH, Rowland MG. Low-Dose Aspirin for the Prevention of Morbidity and Mortality From Preeclampsia: A Systematic EvidenceReview for the U.S. Preventive Services Task Force. Agency for Healthcare Research and Quality (US); 2014 Apr. Report No.: 14-05207-EF-1.

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