
Botox e enxaqueca
Pesquisadores americanos publicaram na revista científica Archives of Dermatology que a injeção de botox, utilizada para redução de rugas de expressão, ajuda a reduzir as crises de enxaquecas. A toxina botulínica tipo A (BTX) é usada profilaticamente para reduzir a frequência de enxaqueca, com respostas inconsistentes na literatura. O objetivo deste estudo foi determinar se injeções de toxina botulínica em doses utilizadas na face superior para fins cosméticos (que diferem das doses normalmente utilizadas por especialistas de cabeça), poderia impedir enxaquecas oculares e de implosão, mas não enxaquecas de explosão. Os participantes do estudo foram recrutados entre os pacientes que haviam recebido ou estavam planejando receber injeções de BTX para fins cosméticos e que, também, relataram ter enxaqueca. Os especialistas avaliaram 18 pacientes, onde alguns sofriam de enxaqueca com aura e outros com dores “implosivas”, e fizeram a aplicação da toxina botulínica tipo A na parte superior da face para redução de rugas. Após três meses, 13 pacientes apresentaram redução na frequência das dores de cabeça. Pacientes que não tiveram diminuição das crises apresentavam dores “explosivas” (pressão dentro da cabeça). O nosso informativo mensal DOL já tratou anteriormente da aplicação de botox contra a dor (veja boletim 4 - ano 2000, boletim 20 - ano 2002, boletim 30 - ano 2003, boletim 70 - ano 2006 e boletim 72 - ano 2006). Cabe aqui ressaltar alguns aspectos relacionados ao tipo de pesquisa apresentada neste alerta. Além do grupo experimental reduzido, para inferir as conclusões apresentadas e a aplicação típica de reducionismo de modo a identificar grupos onde a aplicação de BTX tenha algum impacto no controle da dor relatada, chamamos atenção, também, para as palavras do médico Alexandre Feldman (boletim 20 - ano 2002), que alerta para o preço exorbitante do tratamento com Botox (5 ng do produto custavam 400 dólares americanos à época das declarações). Originalmente desenvolvida para o tratamento do estrabismo na oftalmologia, o Botox bloqueia a liberação de acetilcolina nas sinapses, provocando paralisia muscular por um período de até três meses, sem que haja possibilidade de reverter o processo. Há necessidade, portanto, de que médicos e pacientes estejam cientes dos riscos do uso da mesma como ptose palpebral e facial, hipotonia mandibular, cefaleias, dores musculares ou hipotonia nos músculos do pescoço, costas e ombros, sintomas que podem persistir por três meses. Devido a esses fatos, Feldman considera que o Botox não seja uma alternativa terapêutica que valha a pena para o tratamento de enxaqueca. Referência Kim CC, Bogart MM, Wee SA, Burstein R, Arndt KA, Dover JS. Predicting migraine responsiveness to botulinum toxin type A injections. Arch Dermatol. 2010; 146(2):159-63.