
Botox na enxaqueca
As pesquisas relacionadas ao uso de toxina botulínica A como medida profilática para a enxaqueca crônica vêm sendo desenvolvidas e existem estudos demonstrando sua eficácia clínica. A toxina botulínica (o “Botox”) é uma neurotoxina (ou seja, afeta neurônios) gerada por bactérias do gênero Clostridium (aquelas responsáveis por envenenamento e até mortes pelo consumo de alimentos enlatados ou mal conservados). Os mecanismo de ação envolvem a interrupção do sinal nervoso (inibe liberação do neurotransmissor acetilcolina) para o músculo, o que inibe a contração muscular (por isso é utilizada para tratamentos estéticos). De acordo com a hipótese de que a enxaqueca crônica é desencadeada por liberação de neuropeptídios, como o peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP-calcitonin gene related peptide), resultante da ativação do sistema trigêmino-vascular; e que a estimulação de neurônios deste sistema em cultura libera CGRP, pesquisadores do Hospital Central de Astúrias na Espanha em parceria com a Universidade do Chile relataram níveis elevados de CGRP em pacientes que sofriam de enxaqueca crônica. Visto que a toxina botulínica impediu o aumento de CGRP em cultura de neurônios do sistema trigêmeo estimulados, eles analisaram se o tratamento com esta toxina era capaz de induzir alterações nas concentrações de CGRP. Foi realizado um estudo clínico com 83 pacientes diagnosticados com enxaqueca crônica e se mediu os níveis de CGRP no plasma desses pacientes antes e após 1 mês de uso da toxina botulínica. Foi observado que o tratamento com a toxina botulínica reduziu significativamente os níveis de CGRP. Este trabalho sugere que o aumento de CGRP pode ser responsável pela sensibilização do sistema trigêmino-vascular e que a toxina botulínica poderia ser utilizada para o tratamento da enxaqueca por prevenir a sensibilização promovida pelo CGRP. Referência: Cernuda-Morollón E, Ramón C, Martínez-Camblor P, Serrano-Pertierra E, Larrosa D, Pascual J. OnabotulinumtoxinA decreases interictal CGRP plasma levels in patients with chronic migraine. Pain. 2015 156(5):820-4.