Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Carbamazepina potencializa o efeito da morfina em modelo de neuropatia periférica

DOL · Dor On Line Edição 171 · 2014 ⭳ Baixar em PDF

De acordo com uma equipe de pesquisadores, a adição de um medicamento comum para epilepsia, a carbamazepina, a um tratamento com morfina pode resultar em um melhor controle da dor em pacientes que sofrem de dor neuropática. Aproximadamente 60% da morfina sofre glicuronidação a morfina-3-glicuronídeo (M3G). Segundo o estudo, a sinalização M3G através do receptor Toll-Like 4 (TLR4) é responsável por uma hiperexcitabilidade neuronal, aumentando os canais de sódio dependentes de voltagem (NaV), induzindo alodinia tátil e diminuindo o efeito analgésico opioides. Todos estes eventos são associados ao agravamento do processo doloroso. Através da utilização de ratos de laboratório, esses cientistas descobriram que, enquanto a morfina havia perdido sua eficácia de alívio da dor, três semanas após a indução de neuropatia nos animais, pelo modelo de lesão do nervo tibial, uma terapia de combinação de morfina e carbamazepina, foi capaz de reverter essa perda de ação da droga. Esse efeito pode ser atribuído ao fato da morfina, quando utilizada prolongadamente, torna as fibras que detectam a dor mais sensíveis ao sódio, aumentando a quantidade de canais de sódio NaV, levando ao disparo com maior facilidade e causando hiperalgesia após indução de neuropatia periférica. Nesse sentido, a carbamazepina atuaria como um bloqueador desses canais de sódio que são aumentados pela ação da morfina. Até o momento, essa combinação de drogas foi testada em apenas um pequeno estudo clínico, onde resultados de melhora significativa foram relatados, demonstrando um potencial uso terapêutico da combinação dessas drogas no tratamento da dor neuropática. Referência: Due MR, Yang XF, Allette YM, Randolph AL, Ripsch MS, Wilson SM, Dustrude ET, Khanna R, White FA. 2014. Carbamazepine potentiates the effectiveness of morphine in a rodent model of neuropathic pain. PLoS One. 2014 9(9):e107399.

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