
Células da glia: um potencial alvo para o tratamento da dor patológica?
Até recentemente, as células da glia eram conhecidas somente como células de sustentação, sendo responsáveis pela regulação iônica e fagocitose, além de regularem processos metabólicos envolvidos na manutenção neuronal. Atualmente esta visão tem sido superada por inúmeros trabalhos que enfatizam o papel destas células na modulação também da função neuronal tanto em condições fisiológicas quanto patológicas. Dados da literatura demonstram que as células da glia encontradas no sistema nervoso central, quando ativadas, promovem a liberação de mediadores inflamatórios, participando, assim, da facilitação da dor induzida por inflamação, dano tecidual ou mesmo injúria neuronal. Trabalho publicado no periódico Journal of Neuroimmunology revisa essa participação da glia na atividade neural, processo que ocorreria pela comunicação sináptica neuronal, podendo levar à dor patológica via liberação de uma variedade de neurotransmissores, neuromoduladores, citocinas pró-inflamatórias e quimiocinas. Nesse sentido, é notável o aumento de evidências que sugerem que a dor patológica pode ser controlada por inibição da ativação destas células, o que pode, no futuro, ser mais um alvo farmacológico efetivo para o tratamento da dor. Autores e procedência do estudo: E.D. Milligan, E.M. Sloane, L.R. Watkins - Department of Neurosciences, University of New Mexico, Health Sciences Center, Albuquerque, USA; Department of Psychology and the Center for Neuroscience, University of Colorado at Boulder, Boulder, USA; Referência: Glia in pathological pain: A role for fractalkina. Journal of Neuroimmunology 198 (2008) 113–120.