
Combinação Imipramina e Pregabalina para polineuropatia dolorosa
A dor neuropática é um tipo de sensação dolorosa que ocorre após lesão ou doença que afeta o sistema nervoso somatossensorial; quando vários nervos periféricos estão alterados ou danificados, ou seja, nas polineuropatias, a dor aparece de forma difusa e generalizada. A monoterapia com drogas de primeira linha ou de segunda linha para dor neuropática não proporciona um alívio significativo da dor para a maioria dos pacientes. Embora fenótipos da dor neuropática já tenham sido descritos a partir de sintomas, sinais e o teste sensorial quantitativo (QST), ainda não foi possível realizar um tratamento farmacológico com base no mecanismo da dor neuropática, devido aos vários mecanismos envolvidos. Assim, foi realizado um estudo cruzado, aleatório, multicêntrico, duplo-cego, controlado por placebo e que teve como objetivo testar a combinação de imipramina e pregabalina em doses moderadas, verificando se a terapia de combinação dessas duas drogas com diferentes mecanismos de ação iria proporcionar um efeito sinérgico para o alívio da dor e observando também os efeitos secundários. A imipramina é um antidepressivo tricíclico que inibe a recaptação pré-sináptica de serotonina e noradrenalina; já a pregabalina atua em canais de cálcio voltagem-dependentes, na subunidade alfa-2-delta, e inibe a liberação de neurotransmissores. Desta forma estes dois medicamentos podem afetar indiretamente um ou mais mecanismo nas vias de sinalização da dor. O estudo foi realizado em quatro períodos de tratamento de 5 semanas com 73 pacientes com polineuropatia dolorosa de diferente etiologias, sexo masculino ou feminino e idade entre 20 e 85 anos. As doses foram de 75mg de imipramina uma vez ao dia e 150mg de pregabalina duas vezes ao dia. Como medicação de escape podia utilizar até 6 comprimidos de 500 mg de paracetamol durante todas as fases do estudo. Para acompanhamento durante o estudo foram obtidos os valores a partir do uso de algumas escalas de avaliação clínica já estabelecidas. O tratamento combinado teve valores significativamente menores na escala de dor quando comparado aos tratamentos isolados; entretanto, verificou-se uma maior taxa de abandono durante este período por causa dos efeitos colaterais. Apenas seis pacientes relataram melhor alívio da dor com monoterapia. Comparando os dois fármacos, a imipramina mostrou efeito significativamente melhor do que a pregabalina sobre muitas das avaliações. O estudo demonstra que a terapia de combinação com doses moderadas de imipramina e pregabalina é uma opção viável em comparação com a monoterapia para o tratamento da dor neuropática. Entretanto, a alta incidência de efeitos colaterais desses fármacos limita o seu uso clínico e, portanto, deve ser levada em conta pelo clínico. Referência: Holbech JV, Bach FW, Finnerup NB, Brøsen K, Jensen TS, Sindrup SH. Imipramine and pregabalin combination for painful polyneuropathy: a randomized controlled trial. Pain. 2015 156(5):958-66.