
Como a indústria farmacêutica se aproveita da medicina baseada em evidências
Em edições anteriores do DOL, temos ressaltado o poder que as indústrias farmacêuticas exercem sobre as prescrições de medicamentos de várias formas, entre elas o poder do marketing farmacêutico. Um trabalho publicado recentemente traz novas informações sobre essas ações da indústria farmacêutica. Nos últimos anos, a área médica vem usando uma nova sistemática para o estabelecimento dos procedimentos clínicos: a medicina baseada em evidências, que é um movimento médico que se baseia na aplicação do método científico a toda prática médica, especialmente às tradições médicas estabelecidas que ainda não foram submetidas ao escrutínio sistemático científico. Esta área vem ganhando adeptos no meio médico e principalmente nas diferentes Escolas de Medicina. A medicina baseada em evidência fundamenta-se principalmente na conduta médica orientada por estudos clínicos aleatórios. Não haveria nada de anormal, mas o grande problema é que as empresas farmacêuticas parecem manipular os resultados destes estudos clínicos e se apoiar neles para dar crédito aos seus medicamentos, formando uma nova modalidade médica: a medicina baseada no marketing. Este trabalho traz à tona documentos internos de algumas empresas, demonstrado de forma inequívoca que nem sempre os resultados dos estudos clínicos são idôneos. Dessa forma, nós nos sentimos novamente no dever de informar que este tipo de ação continua ser realizado pela indústria e apelar a médicos e outros profissionais da saúde que avaliem profundamente os estudos clínicos; é de fundamental importância compará-los com estudos realizados independentemente da própria indústria que desenvolve o medicamento. Referência: Spielmans, G.I., Parry, P.I. From Evidence-based Medicine to Marketing-based Medicine: Evidence from Internal Industry Documents. Bioethical Inquiry (2010) 7:13–29