Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
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Como os estereótipos afetam a dor?

Os estereótipos são abundantes na vida cotidiana e, embora sua influência no desempenho cognitivo e motor seja bem documentada, a sua relação com o processamento da dor ainda é pouco conhecida. Um grupo de pesquisadores da Universidade de

DOL · Dor On Line Edição 237 · Abril 2020 ⭳ Baixar em PDF

Os estereótipos são abundantes na vida cotidiana e, embora sua influência no desempenho cognitivo e motor seja bem documentada, a sua relação com o processamento da dor ainda é pouco conhecida.
Um grupo de pesquisadores da Universidade de Wúrzburg (Alemanha) sugeriu que a percepção e o processamento da dor são suscetíveis a estereótipos relacionados a questões de gênero. Nesse estudo foram incluídos 105 participantes do sexo masculino, os quais foram analisados em dois dias. No primeiro dia foram

realizadas medidas neurofisiológicas, por ressonância magnética funcional, e comportamentais de sensibilidade e limiar de dor. Já no segundo dia os pesquisadores manipularam a expectativa dos participantes em relação ao seu próprio limiar de dor. Os participantes foram então separados em três grupos de análise. Ao grupo 1 foi dito que os homens, por terem ancestrais de caçadores e consequentemente serem mais expostos a lesões e ataques de animais, seriam então menos sensíveis a dor do que as mulheres. Para o grupo 2 foi dito que as mulheres são menos sensíveis a dor que os homens, pois vivenciam o processo do parto. O grupo 3 foi o controle, ou seja, nada foi informado. Após receberem essas informações, os grupos foram novamente avaliados por medidas comportamentais e neurofisiológicas.
Os resultados comportamentais indicaram claramente a influência da expectativa associada a estereótipos na sensibilidade à dor. O grupo 2 exibiu aumento no limiar de dor no segundo dia em relação ao primeiro. Esse grupo também mostrou menor sensibilidade à dor em relação aos participantes do grupo 3.
Dados de ressonância magnética funcional comparando o dia 2 com o dia 1, mostraram que no grupo 2 houve uma maior ativação de regiões do encéfalo relacionadas com o processamento e intensidade da dor. Essa maior ativação reflete a experiência de percepção de dor aumentada nesses participantes. Dessa forma, esse estudo indica efeitos substanciais das expectativas relacionadas a estereótipos de gênero no processamento e percepção da dor.
Referência: Schwarz KA, Sprenger C, Hidalgo P, Pfister R, Diekhof EK, Búchel C. How Stereotypes Affect Pain. Sci Rep. 2019; 9(1):8626. doi: 10.1038/541598-019- 45044-y.
Alerta submetido em 06/03/2020 e aceito em 30/03/2020.
Escrito por Vívian Oliveira Souza e Cristiane Flora Villarreal

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