
Como saber que a dor apresentada pelo paciente realmente é causada por fibromialgia? - a confusão de sintomas parecidos com de outras doenças dificulta o diagnóstico correto
Embora a doença conhecida como fibromialgia seja considerada uma desordem sistêmica que afeta cerca de 2 a 4% da população mundial e muitos avanços já tenham sido realizados com relação ao seu entendimento, ainda existem muitos pontos obscuros a serem esclarecidos, desde sua definição correta e métodos de diagnóstico mais precisos até se a dor apresentada por indivíduos supostamente “fibromiálgicos” existe mesmo. Dessa forma, várias pesquisas são feitas nesse sentido e seus resultados têm se mostrado bastante interessantes. Por exemplo, verificou-se que sua ocorrência em mulheres é 1,5 vez maior que em homens, apesar da chance destes últimos apresentarem menor quantidade de locais dolorosos em sua anatomia seja cerca de 10 vezes maior. Esse fato dificulta o diagnóstico em homens, já que, pela definição da Sociedade de Reumatologistas norte-americana, um indivíduo com fibromialgia deve apresentar pelo menos dois sintomas concomitantes: 1) dor crônica espalhada por todos os quadrantes do corpo e no esqueleto axial, e 2) presença de 11, dos 18 determinados, pontos dolorosos. Esta classificação foi criada para uniformizar o estudo da fibromialgia ao redor do mundo, mas vem sendo negligenciada na prática clínica. Um exemplo disso é que existem múltiplas evidências da origem neurobiológica de dores e de síndromes classificadas como idiopáticas (como a síndrome do intestino irritável, a enxaqueca tensional, as disfunções temporomandibulares) que compartilham sintomas e mecanismos extremamente similares aos da fibromialgia, o que pode levar muitas vezes a diagnósticos errôneos e tratamentos equivocados. Em trabalho recentemente publicado, essas evidências, as quais se baseiam em dados farmacológicos, estudos de neuroimagem funcional e exames genéticos, são discutidas com ênfase na diferenciação da fibromialgia desses quadros e a importância de seu conhecimento para estabelecimento do diagnóstico correto da doença. Autores e procedência do estudo: Richard E. Harris & Daniel J. Clauw - Department of Medicine, Division of Rheumatology, University of Michigan Medical Center, USA. Referência: How do we know that the pain in fibromyalgia is “real”? Current Pain And Headache Reports 2006 (6):403-7.