Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Consumo de energéticos pode causar dor de estômago em jovens

DOL · Dor On Line Edição 127 · Fevereiro 2010 ⭳ Baixar em PDF

Um estudo realizado por Steven Lipshultz, publicado na Pediatrics, sobre o consumo de bebidas energéticas, alerta para os efeitos colaterais relacionados aos altos níveis de cafeína. De acordo com o estudo realizado na Nova Zelândia, uma lata de energético é suficiente para causar dor de estômago ou irritabilidade na maioria das crianças. Diversos trabalhos da literatura têm proposto que o mecanismo pelo qual a cafeína (uma metilxantina) causa dor de estômago é devido ao fato desta ser um inibidor de fosfodiesterases (PDE3 e PDE4). As fosfodiesterases são enzimas responsáveis por hidrolisar seletivamente o AMPc, que uma vez inibidas pela cafeína levam a uma maior concentração de AMPc. Sendo assim, os receptores de histamina do tipo 2 (H2- um tipo de receptor acoplado à proteína G, relacionado à via Gs-adenililciclase-AMP-cíclico-PKA), localizados na membrana basolateral das células parietais, ativam a H+/K+ - ATPase (bomba de prótons), que efetua a troca de íons hidrogênio e potássio através da membrana celular parietal, mantendo um pH entre 1 e 3. Além disso, o pepsinogênio (enzima proteolítica inativa) se torna ativo quando em pH 2 a 3. Se não houver um fator protetor (principalmente muco), ocorrerá autodigestão, pois a parede gástrica é constituída em sua maior parte por músculo liso, (proteínas). Por fim, há uma lesão (úlcera gástrica) na parede do estômago, resultando em dor de estômago. Os fabricantes dos energéticos afirmam que os produtos melhoram o desempenho mental e físico. Mas, segundo pesquisadores, esses benefícios são questionáveis. Os fabricantes de energéticos contestaram a pesquisa. Nós da equipe DOL levantamos a seguinte questão: a alegação e a afirmação que a pesquisa traz são em que situação? Pois, durante a presença de alimento no conteúdo gástrico, seria um detalhe não relevante, mas a probabilidade de ocorrer um possível evento de dor de estômago seria reduzida, frente a um grupo jejum, por exemplo. Para fins de conhecimento, tendo como exemplo o Brasil, a ANVISA, por meio de sua RDC nº 273 de 22 de setembro de 2005, define as quantidades permitidas em compostos líquidos prontos para o consumo (ex: bebida energética), sendo: Inositol: máximo 20 mg/100 ml, Glucoronolactona: máximo 250 mg/100 ml, Taurina: máximo 400 mg/100 ml, Cafeína: máximo 35 mg/100 ml, Álcool etílico: máximo 0,5 ml/100 ml. Logo, mesmo a pesquisa tendo por referência crianças, supondo que se levássemos em consideração um adulto, a bebida energética Red Bull de 250 mL, por exemplo, contém 32mg/100 ml de cafeína (dentro do permitido no Brasil), comparado com outras bebidas contendo cafeína como café coado (55,5mg/100mL), café expresso (133,3mg/100mL) e analgésico contendo cafeína (32-65mg/comprimido), poderíamos verificar que não haveria diferenças significantes para considerar e dar ênfase particularmente à cafeína presente em bebidas energéticas como o maior problema em causar tal dor. Referências e fontes ABRAMS, A. C. Farmacoterapia clínica: princípios para prática de enfermagem. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006; BRUNTON, L. L.; LAZO, J. S.; PARKER, K.L. Goodman e Gilman: as bases farmacológicas da terapêutica. 11. ed. Rio de Janeiro: McGraw-Hill do Brasil, 2007; DALE, M. M. et al. Farmacologia. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007; http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/875985-bebidas-energeticas-podem-afetar-figado-e-coracao-de-jovens.shtml http://www.misodor.com/ESTOMAGO CIRURGICAL.html http://www.awmueller.com/deposito/cafeina.pdf http://www.puntofocal.gov.ar/notific_otros_miembros/bra175a1_t.pdf

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