Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Controlando a dor da artrose: medicamento que previne degeneração da articulação pode também ajudar na diminuição da dor

DOL · Dor On Line Edição 82 · Maio 2006 ⭳ Baixar em PDF

A osteoartrite é uma doença degenerativa das articulações e afeta grande parte da população mundial. Sua severidade e progressão requerem tratamentos de longa duração e os agentes farmacológicos utilizados para seu controle podem ter ação apenas sobre os sintomas (dor e limitação da função) ou atuar sobre a estrutura da articulação. Um estudo, envolvendo vários centros de pesquisa europeus e diferentes modos de avaliação do efeito de drogas sobre a doença, foi realizado em aproximadamente 300 indivíduos com osteoartrite no joelho. Denominada GUIDE (Glucosamine Unum In Die Efficacy), a metodologia consistiu de tratamento aleatório dos pacientes durante 6 meses com sulfato de glicosamina, por via oral, na dose de 1500 mg, uma vez por dia, ou com paracetamol, por via oral, na dose de 1000 mg, três vezes ao dia. Os medicamentos eram administrados de modo que nem os pesquisadores nem os pacientes sabiam qual droga era administrada (estudo duplo-cego), além do uso também de uma droga placebo (medicamento sem efeito). Com relação às drogas testadas no estudo, o sulfato de glicosamina é uma droga capaz de retardar a progressão das mudanças estruturais na articulação induzidas pela osteoartrose, além de controlar o desenvolvimento dos sintomas causados por este remodelamento. Já o paracetamol é um anti-inflamatório não-esteroidal (AINEs) com ação atenuante sobre os sintomas causados por essa degeneração óssea. A análise dos dados mostrou que os pacientes tratados com o sulfato de glicosamina tiveram menos dor que os indivíduos que receberam paracetamol, o que sugere que a glicosamina é mais eficaz para o controle da dor da osteoartrose que medicamentos AINEs. Além disso, esses indivíduos também precisaram tomar menos remédios, como o AINEs ibuprofeno, por exemplo, durante crises agudas, e realizaram menor número de sessões de fisioterapia, mostrando sua eficácia não só sobre a degradação da cartilagem, mas também sobre a dor e a rigidez nos movimentos associadas à osteoartrose no joelho.

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