
COX-2 na berlinda
Os estudos clínicos apóiam a hipótese de que os medicamentos inibidores da enzima COX-2, responsável pela síntese de prostaglandinas, quando comparados aos anti-inflamatórios não-esteroidais em termos de segurança gastrointestinal, possuem uma razão risco/benefício significantemente melhor. Todavia, a compreensão da toxicologia dos inibidores da COX-2 questiona o seu uso sem critérios. Estudos nesses últimos 10 anos mostraram que a COX-2 é expressa no endotélio arterial, nos ovários, no útero, no cérebro, nos rins e no coração, sugerindo que essa enzima possui propriedades fisiológicas muito além das esperadas (síntese de prostaglandinas induzida durante o processo inflamatório). Como mostram alguns estudos, o uso de inibidores da COX-2 (Vioxx, Meloxicam, etc) pode abolir o efeito protetor preventivo anti-agregante da aspirina. Isso colocaria em risco a grande parte da população com tendência ao infarto do miocárdio. Estes e outros pontos foram discutidos por Henry McQuay, professor da Universidade de Oxford, que proferiu uma conferência plenária sobre os efeitos colaterais dos inibidores da COX-2 e outros anti-inflamatórios não–esteoidais no 10º Congresso da Sociedade Internacional para o Estudo da Dor, realizado entre os dias 17 e 22 de agosto de 2002.