Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Ciência e Tecnologia

Deficiência de células T CD4+ promove diminuição da analgesia da

morfina em camundongos A modulação recíproca entre opioides e linfócitos T é conhecida na literatura. Durante estados de inflamação e dano neural, linfócitos T liberam opioides, assim como os opioides são capazes de alterar o número de lin

DOL · Dor On Line Edição 238 · Maio 2020 ⭳ Baixar em PDF

morfina em camundongos
A modulação recíproca entre opioides e linfócitos T é conhecida na literatura. Durante estados de inflamação e dano neural, linfócitos T liberam opioides, assim como os opioides são capazes de alterar o número de linfócitos e a produção de citocinas por essas células. Recentemente, pesquisadores canadenses demonstraram que os linfócitos T modulam também a analgesia induzida por medicamentos opioides, como a morfina.
Nesse estudo, o efeito da administração de diferentes doses de morfina foi avaliado em camundongos deficientes em linfócitos T (camundongos nude). Em seguida, camundongos imunodeficientes receberam transplante de esplenócitos, linfócitos T CD4+ e CD8+ de um doador, e então a morfina foi administrada. Em animais imunodeficientes, a morfina induziu menor efeito analgésico do que nos imunocompetentes. O transplante de linfócitos T CD4+, porém não de linfócitos T CD8+, restabeleceu a magnitude da analgesia da morfina. O estudo mostrou ainda que as diferenças na analgesia opioide entre camundongos imunodeficientes e imunocompetentes variaram entre machos e fêmeas. O estudo sugere, portanto, que células T CD4+ têm papel relevante na analgesia promovida por opioides, e que essas células podem estar envolvidas na diferença de sensibilidade dolorosa relacionada ao gênero.
Referência: Rosen SF, Ham B, Haichin M, et al. Increased pain sensitivity and decreased opioid analgesia in T-cell-deficient mice and implications for sex differences. Pain. 2019; 160(2):358-366.
Alerta submetido em 02/05/2020 e aceito em 04/05/2020.
Escrito por Eduardo Lima Wândega.

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