Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Divulgação Científica

Desintoxicação de aldeído reativo associado à endometriose

A endometriose é uma doença inflamatória em que há o crescimento anormal de tecido endometrial em porções extrauterinas, sendo a dor incapacitante o sintoma mais comum. A condição afeta aproximadamente 176 milhões de mulheres em todo o mund

DOL · Dor On Line Edição 249 · Abril 2021 ⭳ Baixar em PDF

A endometriose é uma doença inflamatória em que há o crescimento anormal de tecido endometrial em porções extrauterinas, sendo a dor incapacitante o sintoma mais comum. A condição afeta aproximadamente 176 milhões de mulheres em todo o mundo, e em média, as mulheres sentem dor por 10 anos desde o início dos sintomas antes de serem devidamente diagnosticadas. O objetivo de um estudo publicado na revista Pain foi testar a hipótese de que a desintoxicação de aldeído reativo aberrante pela aldeído-desidrogenase-2 (ALDH2) está por trás da condição dolorosa da endometriose, uma vez que níveis elevados de aldeídos reativos foram encontrados no fluido peritoneal de mulheres com endometriose. Sendo assim, as etapas da pesquisa envolveram 1) avaliação do endométrio de mulheres com e sem a doença; 2) inserção de um modelo de endometriose em roedores para avaliar se a atividade da enzima ALDH2 influencia no desenvolvimento da doença; 3) análises bioquímicas, comportamentais, análises da lesão em si e da sua progressão, do tecido e o tipo de substâncias encontradas. Como resultado, a etapa da pesquisa de avaliação do endométrio das mulheres confirmou a baixa quantidade de enzimas que desintoxicam os aldeídos reativos. Nos modelos de roedores, a diminuição da enzima ALDH2 acelerou o desenvolvimento das lesões, e exacerbou o comportamento de dor. Assim como o aumento da atividade enzimática induzida pelo ativador Alda-1 melhorou os comportamentos associados à dor e o desenvolvimento da lesão. Os tratamentos disponíveis para a endometriose incluem medicamentos e / ou cirurgia, que tendem a ser ineficazes em longo prazo e podem produzir efeitos colaterais indesejados, como perda óssea prematura, secura vaginal e contracepção. Dessa forma, os achados pré-clínicos sugerem que o direcionamento da enzima ALDH2 pode ser eficaz para o alívio da dor associada à endometriose. Referência: McAllister, Stacy L et al. “Aberrant reactive aldehyde detoxification by aldehyde dehydrogenase-2 influences endometriosis development and pain- associated behaviors.” Pain vol. 162,1 (2021): 71-83. doi:10.1097/j.pain.0000000000001949 Alerta submetido em 08/03/2021 e aceito em 01/04/2021. Escrito por Anne Caroline Nunes Carmo.

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