Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Ciência e Tecnologia

Diferenças em dor neuropática e a correlação comportamental

Estudos mostram que a sensibilidade ao frio desenvolve-se mais rápido que a alodinia tátil. A partir disso, buscou-se investigar diferenças mecanicistas entre essas duas modalidades de dor (alodinia fria x tátil). Para isto, foi realizado u

DOL · Dor On Line Edição 212 · Março 2018 ⭳ Baixar em PDF

Estudos mostram que a sensibilidade ao frio desenvolve-se mais rápido que a alodinia tátil. A partir disso, buscou-se investigar diferenças mecanicistas entre essas duas modalidades de dor (alodinia fria x tátil). Para isto, foi realizado um estudo de expressão gênica global em gânglios da raiz dorsal (GRD) à lesão do

nervo em camundongos adultos para correlacionar o tempo de transcrição, expressão e de mudanças nestas modalidades sensoriais.
Foram encontrados os seguintes achados: 1) Alodinia ao frio (nível máximo 4-5 dias após lesão) desenvolve-se mais rápida que a alodinia tátil (nível máximo 7-8 dias após lesão); 2) Identificou-se que 37% dos genes correlacionados com alodinia fria são expressos como nociceptores, mostrando associação com o componente neuronial; 3) Cerca de 50% dos genes correlacionados com a alodinia tátil são expressos em leucócitos, desta forma sendo mais ligado à função imune; 4) Na ablação de nociceptores de linhagem TRVP1, os camundongos não apresentaram alodinia ao frio (7-14 dias após a lesão), porém desenvolveram hipersensibilidade tátil; 5) Na depleção de macrófagos e células T foi reduzida a alodinia tátil (nível mínimo apenas com 7-10 dias), porém não alterou a hipersensibilidade ao frio.
A partir destes achados, pode-se observar que os dois tipos de sintomas (alodinia fria x tátil) apresentaram componentes diferentes, sendo um mais relacionado com nociceptores e outro com função imunológica. Assim, este estudo demonstra a importância de se realizar estratégias diferenciais para o tratamento da dor neuropática. Entretanto, o estudo foi realizado em modelo animal e não se sabe se os mesmos mecanismos são responsáveis em humanos.
Referência: Cobos EJ, Nickerson CA, Gao F, Chandran V, Bravo-Caparrós |, González-Cano R, et al. Mechanistic Differences in Neuropathic Pain Modalities Revealed by Correlating Behavior with Global Expression Profiling. Cell Rep [Internet]. 2018;22(5):1301-12. Available from: http: //linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S2211124718300068
Alerta submetido em 16/03/2018 e aceito em 16/03/2018.

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