Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Diferenças individuais na resposta à quetamina em dor orofacial crônica

DOL · Dor On Line Edição 17 · 2001 ⭳ Baixar em PDF

O efeito analgésico da quetamina, um bloqueador de receptor NMDA, foi avaliado em 17 indivíduos que sofriam de dor orofacial por período de 6 meses a 28 anos. Os pacientes receberam doses de 0.4 mg/kg de quetamina associado a 0.05 mg/kg de midazolam. Sob este tratamento, quatro pacientes não relataram efeito analgésico, sete relataram efeito por cerca de 1 hora (efeito transiente) e seis ficaram anestesiados por várias horas. Uma semana depois, os pacientes receberam 4mg/kg de quetamina via oral, em combinação com hipnótico, ingeridos durante três noites consecutivas. Todos os pacientes que relataram efeito analgésico prolongado após injeção intramuscular de quetamina também relataram diminuição da dor nos dias após receberem quetamina à noite. Os achados deste estudo corroboram com resultados prévios em que foi encontrada correlação positiva entre a longa história de dor e a falta de efeito analgésico e, também, com a curta história de dor e efeito analgésico prolongado após baixas doses de quetamina. Esses resultados indicam que os mecanismos da dor são sujeitos a alterações ao longo do tempo e que estas alterações envolvem a transição de receptores NMDA para não-NMDA mediando a transmissão nas vias centrais de dor. Nota da redação: A utilização de quetamina via oral é até indicada em alguns tipos de quadros álgicos neuropáticos, porém o seu uso não é inócuo. A incidência de efeitos colaterais não é infrequente, principalmente nas doses preconizadas pelo respectivo trabalho, mesmo em associação com drogas hipnóticas.

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