Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Diferentes contribuições de fibras A e C na hiperalgesia inflamatória primária e secundária

DOL · Dor On Line Edição 179 · Junho 2014 ⭳ Baixar em PDF

A partir de um processo inflamatório, dois diferentes tipos de hiperalgesia podem se desenvolver: a primária, caracterizada pelo aumento da sensibilidade nociceptiva no local onde aconteceu a lesão, atribuída tanto à sensibilização de nociceptores periféricos quanto centrais; e a secundária, clinicamente chamada de “dor referida, em que há sensibilização da área afetada e de locais mais distantes, com participação majoritária de neurônios centrais. Alguns trabalhos vêm mostrando que há uma diferente participação de fibras A e C nesse contexto. Lembrando que fibras A são mielinizadas, de condução rápida e baixo limiar de ativação; enquanto as fibras C são amielínicas, de condução mais lenta e alto limiar de ativação. Em um trabalho recentemente publicado na revista Pain, os autores conseguiram ativar, de maneira seletiva, fibras A ou C através de estímulos térmicos de diferentes frequências sobre a superfície plantar em animais. A partir deste tipo de estimulação foi possível avaliar o papel de cada tipo de fibra na hiperalgesia primária induzida pela injeção intraplantar de CFA (adjuvante completo de Freud), ou secundária, causada pela injeção intra-articular de CFA. Os dados mostram que um estímulo nociceptivo periférico é reconhecido tanto por fibras A como C, causando hiperalgesia no local da ativação (primária). A ativação de fibras C leva à sensibilização espinal e de circuitos bulbo-espinais, resultando na facilitação dos sinais de fibras A, que passam a mediar hiperalgesia em locais secundários ao sítio de ativação ou lesão inicial. Sendo assim, tem-se a participação de fibras tanto A como C na hiperalgesia primária e somente de A na hiperalgesia secundária, promovida pela facilitação da transmissão causada pela ativação de fibras C. Este é um importante exemplo de comunicação interneuronial e de como pode haver o desenvolvimento de uma rede de sensibilização nociceptiva após um estímulo. Referência: Hsieh MT, Donaldson LF, Lumb BM.Differential contributions of A- and C-nociceptors to primary and secondary inflammatory hypersensitivity in the rat. Pain. 2015 156(6):1074-83.

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