
Diminuição do efeito analgésico da morfina administrada por longo tempo pode estar associada com altos níveis de aminoácidos excitatórios no fluido cerebroespinal
A diminuição do efeito analgésico da morfina administrada por via intratecal em pacientes que sofrem de dor severa é muito comum. No entanto, os mecanismos pelos quais isso ocorre ainda não foram esclarecidos. Dentro desta perspectiva, pesquisadores do Hospital Geral e do Centro Nacional de Defesa Médica de Taipei, Taiwan, realizaram um estudo com a finalidade de avaliar os níveis de aminoácidos excitatórios (AAE) no fluido cerebroespinal (FCE). Deste estudo participaram pacientes portadores de câncer em fase terminal que necessitavam de tratamento contínuo com opioides para alívio da dor. Os níveis de concentração de AAE no fluido cerebroespinal dos pacientes foram analisados em quatro momentos: 1. antes da administração da primeira dose de morfina; 2. após encontrar a dose efetiva de morfina para alívio da dor; 3. quando ocorreu a perda do efeito analgésico da dose efetiva e; 4. após o aumento da dose inicial de morfina para atingir um alívio eficaz da dor. Os resultados desta análise mostraram que os níveis de glutamato e aspartato, dois diferentes AAE presentes no FCE, encontraram-se aumentados quando havia aumento da intensidade da dor e diminuição do efeito analgésico da morfina, quando comparados aos níveis de AAE encontrados no FCE antes da administração da primeira dose de morfina. Desta forma, a administração prolongada de morfina está acompanhada por um aumento dos níveis de AAE no fluido cerebroespinal, e, portanto, pode também estar associada à diminuição do efeito analgésico da droga.