
Dimorfismo sexual da dor: mecanismos endógenos inibitórios da dor em fêmeas são modulados por opióides e dependem dos hormônios sexuais
Vários trabalhos têm mostrado diferenças entre os sexos tanto em relação à percepção dolorosa quanto em relação à analgesia. Mais ainda, muitas condições dolorosas crônicas tem sido observadas serem mais prevalentes em mulheres e dados experimentais sugerem que drogas agonistas opioides são mais potentes nestas. Efeitos semelhantes foram observados em ratos fêmeas, que geralmente apresentam respostas comportamentais nociceptivas maiores do que os machos. A partir destas e de outras evidências, um estudo em ratos machos e fêmeas foi realizado com o objetivo de verificar se essa diferença sexual existente nos mecanismos endógenos inibitórios da dor é dependente de vias opioides e se é modulada pelos hormônios sexuais. Drogas antagonistas de receptores opioides (naloxone, naltrexone, naltrindol e norbinaltorfimina, respectivamente antagonistas não-seletivo, mu-, delta- e kappa-seletivos) foram administradas intraperitonealmente e avaliou-se tanto a duração quanto a contribuição relativa destes receptores na interfase observada no teste da formalina. Os resultados mostraram a participação conjunta de receptores do tipo kappa- e delta-opioides no período da interfase. Além disso, a administração de naloxone por via intratecal com o intuito de verificar o sítio de ação dos opioides nesta modulação mostrou que tais receptores opioides estão principalmente localizados na medula espinal. O fato de os pesquisadores terem realizado os experimentos em animais gonadectomizados ou não levou à sugestão de que existe influência dos hormônios sexuais nos parâmetros analisados. Em conclusão, o estudo em questão mostrou pela primeira vez o envolvimento de receptores opioides espinais na interfase do teste da formalina principalmente em fêmeas (devido aos hormônios sexuais femininos). Os autores também discutem a possibilidade de um mecanismo não-opioide, provavelmente via transmissão GABAérgica, ser responsável pelas vias inibitórias nos animais machos. Autores e procedência do estudo: I. GAUMOND (a), M.-F. SPOONER (b) AND S. MARCHAND (a,b*) - (a) Département des Sciences de la Santé, Université du Québec en Abitibi-Témiscamingue, 445 Boulevard de l’Université, Rouyn-Noranda, Québec, Canada; (b) Faculté de Médecine, Université de Sherbrooke, Neurochirurgie, 3001, 12e Avenue Nord, Sherbrooke, Québec, Canada J1H 5N4; Referência: Sex differences in opioid-mediated pain inhibitory mechanisms during the interphase in the formalin test. Neuroscience xx (2007) xxx article in press.